F(o)énix

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Os ciclos de morte e renascimento são parte da vida. O escorpião é um dos símbolos deste eterno retorno. Para os dogons, “o escorpião representa a segunda alma (alma masculina) da mulher”1. O escorpião é um símbolo-signo associado “(…) à altura de todos os santos, da queda das folhas, do regresso ao caos da matéria bruta, à espera que o húmus prepare o renascimento da vida.” 2

“(Scorpion) it’s a sign your soul is ready to tango!”3

O Oroboros será outro símbolo que remete para o renascimento, sob a forma de uma serpente ou de um dragão que “devora” a sua própria cauda unindo o fim ao princípio, representando a eternidade. O Oroboros está associado à alquimia e por vezes aparece duplicado com dois animais míticos a “devorarem” a cauda um do outro. Este conceito representa também a possibilidade infinita de auto-renovação.

“A serpente, enrolada em um ovo, era um símbolo comum para os egípcios, os druidas e os indianos. É uma referência à criação do universo”4 Albert Pike

Estamos em tempos de “destruição”, de “queda”, de “morte” (real ou simbólica) mas deveremos relembrar que cada ciclo de destruição está conectado inevitavelmente a um ciclo de criação ou não fosse o ano de 2017 um ano universal 1(0) de inícios, de força, de energia criadora, de empreendedorismo (numerologia).  A “morte” traz sempre consigo o (re)nascimento e por isso, a mudança que tanto nos custa (apego) traz sempre consigo a esperança de um novo ciclo mais bonito e mais consciente.

Neste contexto, anunciamos que o Sant’yoga está em fase de “mudança”, deixando ir o que não nos serve, mantendo o que tem servido e criando o novo que faz falta para elevar a vibração e a força do projeto. Temos um site novo a ser criado, temos terapeutas e coaches prontos a “servir” e a “ajudar” quem necessita de cuidados, motivação e/ou orientação e temos vídeos a sair de algo surpreendente e ainda secreto.

É necessário preparar uma nova era, acolher os que estão em fase de transição, cuidar dos que estão cansados de “dar” e de “ser” para que possam “ser” ainda melhores mas com uma faísca de amor e de auto-compaixão inabalável bem no centro do peito.

O pouco que podemos fazer pode ajudar a elevar a vibração dos que nos rodeiam.

Vamos fazer MAIS E MELHOR. Contamos com o vosso apoio e o vosso amor neste processo de evolução.

Enquanto isso, temos o curso “ativação do poder interior” a decorrer sob orientação das facilitadoras Liliana Santos e Rute Violante e estamos a preparar o nosso já famoso e carismático retiro de passagem de ano, este ano dedicado à eco-abundância.

Em 2018 se não tivermos impedimentos voltaremos a Santiago de Compostela, numa viagem que nos relembra (no corpo e no espírito) como este projeto se iniciou e com que missão.

O que temos feito não chega. Estamos perante uma era de emergência na qual a energia deve ser colocada no BEM e no PRODUTIVO, na elevação energética, na consciência, na proteção do planeta, na nutrição equilibrada, no pensamento positivo, na entre-ajuda, nas palavras certas, na inspiração e claro, NO AMOR.

Links consultados:

1. Chevalier, Jean; Gheerbrandt, Alain; “Dicionário de símbolos”, Teorema

2. Idem

3. https://whatismyspiritanimal.com/spirit-totem-power-animal-meanings/insects/scorpion-symbolism-meaning

4. Wikipédia

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Menos é MAIS

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Imaginem que só têm um livro, que não têm estante com mini biblioteca pessoal e que não têm dinheiro para comprar mais nenhum… quão valorizado seria esse livro? Imaginem que só podem comer o vosso prato favorito de três em três meses ou porque não têm os ingredientes, ou porque não têm tempo para o preparar ou porque não têm dinheiro para comprar o que necessitam para o fazer… como vos saberá esse prato? Imaginem que nem sempre têm um local quente e seguro onde dormir todas as noites, quão valorizadas serão as noites em que se puderem aquecer e sentir seguros?

Valorizamos mais as 50 mensagens que recebemos por dia no messenger (irrefletidas, desnecessárias e às vezes vazias) ou uma carta que chega pelo correio de um amigo que vive longe?

Quanto menos temos mais valorizamos, porque o esforço é maior, porque tudo é conquistado! Por vezes, trata-se mesmo de uma questão de sobrevivência… Quando temos muito e/ou muita escolha, a tendência é para “rejeitar”, “desvalorizar”, sentir tédio e querer mais. Pelo caminho, por vezes, muitos dos valores da vida perdem-se! Entre o vulgar e o extraordinário reside o intervalo que reúne tudo e todos. O raro de alguns pode ser o “de sempre” para outros. O pouco de um pode ser muito para outro… mas na mente equilibrada e consciente, a abundância estará em todos os pequenos nadas, a felicidade estará em comer arroz branco ao pôr do sol.

As crianças de hoje em dia têm brinquedos e estímulos a mais… os quartos estão recheados de “tralha”, o roupeiro cheio de roupa “nova”, os dispositivos eletrónicos cheios de jogos e aplicações. O aborrecimento é certo… tudo distrai e nada preenche. Não serão uns bons sapatos para um menino pobre um dos seus maiores tesouros?Nalguns dias, até o pão “sem nada” será o seu maior tesouro!!! Para crianças que vivam na abundância, 7 pares de calças por vezes não chegam! (dependendo claro do nível de consciência dos pais)… E nenhum desses pares será um verdadeiro tesouro. O tesouro estará sempre na loja naquilo que ainda não tem.

Nós os adultos não somos muito diferentes. Queremos o que não temos. Queremos mais do que aquilo que precisamos. Não valorizamos presentes nem presenças nas nossas vidas.

Antigamente quando se fotografava com rolo fotográfico, um fotógrafo só podia fazer 24 ou 36 disparos com cada rolo. O rolo era caro e a revelação também. Hoje em dia tiramos 1000  fotografias numa tarde, gravamos no disco, publicamos 2 ou 3 (de preferência selfies) e nunca mais olhamos para elas.

Queremos sempre mais, mais abundância, mais dinheiro, mais férias, uma casa maior, um carro mais rápido, mais roupa, melhores restaurantes, empregos mais bem pagos, shoppings com mais lojas, telemóveis mais caros, internet mais acessível, televisão com mais canais, mais distrações, mais fugas, mais tudo, desde que…  menos de nós próprios.

«Imaginem que só têm um livro, que não têm estante com mini biblioteca pessoal e que não têm dinheiro para comprar mais nenhum… quão valorizado seria esse livro?»

Boas práticas de valorização e gratidão…

Fotografia e texto: Rute Violante

Rendição ou luta?!

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Na vida, devemos fazer um esforço para nadar a favor da corrente, fluindo de forma natural e simples com as marés. Isso implica menos resistência às vicissitudes e contrariedades e implica aceitar quando nos acontecem coisas menos boas.
Talvez seja mais fácil acreditarmos que tudo na vida tem um sentido maior e que nós nem sempre temos capacidade de ver “o quadro maior”. O caminho de menor resistência é fluído e menos sofrido, pressupondo que nos deixamos levar pela brisa e pelas mutações inerentes ao fluxo impermanente da vida.
Todavia, há sempre momentos em que somos pressionados a resolver situações, a tomar decisões menos fáceis e a dar saltos para o escuro. O Universo costuma ter formas criativas de nos pressionar a mudar e a dar “saltos quânticos”.
Será essencial portanto termos capacidade de discernimento para saber a diferença.

Quando aceitar e quando lutar?
Se alguém morre por exemplo, nada a fazer, só resta aceitar!
Se batemos na traseira do carro de outro condutor, só resta aceitar, ativar o seguro e seguir sem grande resistência… especialmente mantendo a tranquilidade e a paz de espírito porque ninguém se magoou e esse é um problema menor.
Se por outro lado, temos problemas no emprego, não gostamos do que fazemos oito ou mais horas por dia, temos um relacionamento que não nos preenche ou temos problemas com o nosso corpo, então aí, há soluções e decisões que podem partir de nós, tais como:

*Mudar de emprego e/ou de profissão
*Aprender uma nova profissão, começando por fazer um curso novo
*Terminar o relacionamento ou tentar resolver os problemas existentes no mesmo
*Começar a praticar desporto diariamente e/ou fazer uma alimentação mais consciente e saudável
*Iniciar sessões de psicoterapia

A reflexão é fundamental neste processo. Entender que há situações nas quais podemos ter intervenção ativa (sendo cocriadores)… contextos nos quais podemos lutar e trabalhar para atingir um objetivo podendo alterar o resultado e o cenário a médio prazo. Resumindo, temos opções!

Noutras situações, não há opções! Algo de menos positivo aconteceu e não há nada que se possa fazer para alterar a situação… Aí resta mesmo a rendição e o entendimento de que a vida é feita de ciclos, de vitórias e derrotas, de vida e morte, de felicidade e tristeza…

A nossa proposta vai nesse sentido. Quando estiverem perturbados, questionem-se:

O que aconteceu?
Como me sinto?
Posso mudar alguma coisa?
Se a resposta for afirmativa… O que posso mudar? Qual o meu objetivo?
Que pequeno passo ou decisão posso tomar neste momento para me aproximar desse objetivo?
Sinto-me pronto e com coragem para lutar pela minha felicidade?

Imagem e texto: Rute Violante

Boa reflexão!

 

 

 

Um dos mandamentos do amor

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Há uns meses atrás assisti a uma palestra sobre relacionamentos felizes ministrada por um monge no centro budista de Sintra.
O templo ficou bastante composto (ao contrário das outras palestras a que assisti que foram dadas para meia dúzia de pessoas), o que mostra claramente o que mais atormenta os seres humanos e também aquilo por que mais anseiam.

Ora para começar e antes de mais nada, disse o monge: “vamos meditar durante 20 minutos”…  e no final disse: “Isto é a base para relacionamentos felizes!”…

Claro está que as pessoas presentes não se deram por satisfeitas, afinal tinham ido ali buscar a chave da felicidade e a meditação (para os menos experientes e mais céticos) era apenas um grande silêncio incomodativo. Depois disto, o monge começou a falar e disse, entre muitas outras coisas, que o segredo estava em evitar causar danos ao(s) outro(s).

Ora esta premissa de tão básica que é parece-nos absurdamente filosófica. Mas vejamos a sua aplicação prática nos relacionamentos reais… Como podemos abandonar efetivamente comportamentos que causem danos ao(s) outro(s)? Desenvolvendo a consciência!

Como assim? É só isso? Era esse o segredo? É essa a chave da felicidade para os relacionamentos?
“Mas”… “e”… “ele fez”… “ele disse”… “ele magoou primeiro”… “ela”… “não sei o quê”… a tendência para a vitimização e para colocarmos a culpa no outro é uma estrada que nos leva para o abismo no que toca a relacionamentos. Cuidado com o ego, com o orgulho, com a culpa e com as criancices.

Claro está que podíamos estar aqui 3 meses a discutir questões específicas dos relacionamentos… e há sempre muito mais a aprender sobre os mesmos (valores como a honestidade, a liberdade, o respeito, o amor próprio, a comunicação, etc…).  Mas este é sem dúvida, um excelente “mandamento”: “Não deverás causar danos ao outro!” (mantém a consciência do que fazes e das consequências que isso tem nos sentimentos ou na vida do outro).

Resumindo, deveremos preocupar-nos não só com o nosso bem estar (nunca esquecer o amor próprio que é por onde devemos começar) e com o que queremos para a nossa vida não permitindo abusos ou comportamentos menos próprios (acusações verbais; provocações; sarcasmos; birras; violência de qualquer tipo; manipulação; etc..:) mas deveremos também em honestidade evitar comportamentos que firam o outro. Se as duas pessoas envolvidas num relacionamento tiverem sempre esta premissa presente, evitam-se conflitos, mágoas, ressentimentos e claro, rupturas.
Isto é aplicável também a relacionamentos familiares ou de amigos!

É simples mas de uma complexidade incrível. Ora experimentem!

❤ ❤ ❤

 

Texto: Rute Violante

Ilustração: Manel Cruz

Caminhos de Santiago – para quê?

Sant' Yoga

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Porquê passar uma semana de férias a caminhar com uma mochila às costas?

A resposta está na própria pergunta.
Para caminhar com “a vida” nas costas e com isso fazermos “férias” da nossa vida quotidiana e rotineira e da nossa mente que nos mente continua(mente).

A mochila simboliza o peso que carregamos, a nossa própria vida, o nosso passado, os nossos sonhos, a nossa ansiedade, o nosso ego, o apego e até as necessidades supérfluas.

“Conhece o que levas na mala e conheces-te a ti próprio/a…”
A mochila representa os pensamentos que nos complicam a vida e nos turvam a visão sobre o amor e sobre a verdade.

Que peso carregas às costas? Quanto desse peso consegues descartar e continuar a viver?
A resposta é quase óbvia: Todo!

Na verdade, se formos honestos e se analisarmos sem ponta de medo, podemos sobreviver apenas com água e alguma comida  (desde que…

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30 e muitos sem filhos

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Quando chegamos aos 30 e muitos, já perdemos a conta à quantidade de vezes que as pessoas nos abordaram em relação ao assunto “filhos”.
Que nos questionem sobre isso, tudo bem… (enfim)…
Agora que nos digam coisas como: “Tens de fazer um!”; “Porque é que não tiveste filhos até esta idade? Devias ter aproveitado antes”… ou até; “as mulheres como tu andam para aí a curtir sem se preocuparem com isso e depois de repente querem milagres!!!”…
Tendo em conta que pouco ou nada sabem sobre a nossa vida, isso é… inconcebível!

Também já perdi a conta à quantidade de vezes que me disseram:
“Já não precisas de homem para isso!”
“Podes fazer produção independente!”
“Já que és tão alternativa (entenda-se: tens a mania que és diferente) também não precisas de casar para isso!”
“Podes fazer inseminação artificial!”
“Podes adotar!”
“Não sabes escolher os homens com quem te envolves!”
“És esquisita!”
“Não precisas de ter filhos teus! Os teus sobrinhos e os teus alunos são como filhos!”

Entre outras coisas menos simpáticas que prefiro nem repetir…

Claro que é tudo verdade, todavia, será que uma mulher mesmo perto dos 40 anos de idade pode ter o sonho e a vontade de ter um filho biológico, em família, em casal, de forma tradicional, fazendo amor com a pessoa com quem quer partilhar a sua vida??!
Dá para aceitar que uma pessoa consciente ou alternativa (aos olhos dos outros) pode querer um amor verdadeiro e uma família “normal”?!
Não será mais saudável não comentar do que dizer disparates que podem ferir susceptibilidades ou passar os limites do razoável?

E se uma mulher com esta ou outra idade simplesmente não quiser ter filhos, porque é que tem de andar constantemente a ouvir esta ladainha e a sofrer pressões sociais nesse sentido?! Não quer, não quer! O corpo é dela e a vida também!

Também pode acontecer o oposto, uma mulher decidir efetivamente fazer inseminação artificial, adotar uma criança sozinha ou eventualmente pedir a um amigo para conceber um filho com ela.
São escolhas legítimas e conscientes e que não devem ser criticadas por quem está de fora. Mais uma vez, a vida é dela! (também haveria uma panóplia de comentários inadequados que eu poderia mencionar aqui sobre o que uma mulher ouve quando toma uma decisão dessas).

Uma mulher também pode escolher ser uma mulher solteira com ou sem relacionamento duradouro, tendo outros planos para a sua vida que não incluam filhos.

Se não conhecemos os detalhes da vida de uma pessoa, não devemos julgar, comentar ou fazer sugestões que podem magoar esse alguém.

A vida pode ter outros planos para nós ou nós podemos ter outros planos para a vida.
Tudo é possível e estamos sempre a tempo de realizar sonhos. Os sonhos são nossos e ninguém tem o direito de lhes tocar ou de os destruir…
Ninguém precisa de saber o nosso passado e também ninguém tem nada a ver com o nosso futuro. Partilhamos esses detalhes mais pessoais e íntimos com quem nos entende e com quem nos conhece.

Porque é que em vez disso não começam por perguntar: És feliz?

Mais respeito, mais amor e mais compreensão… precisa-se!

Texto e fotografia: Rute Violante

Sem ninguém

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Uma das maiores dificuldades do ser humano é enfrentar a solidão ou aprender a estar só para estar tão bem consigo como com a companhia de alguém.
Em consequência da carência extrema em que vivemos na sociedade contemporânea, quase ninguém se propõe deliberadamente a estar “só” ou a viver “só”, nem que seja temporariamente.
A dependência de ter alguém (companheiro/a; marido/esposa; namorado/a) é talvez o maior vício que trazemos às costas e é uma mochila que carregamos mesmo quando ela nos pesa e nos magoa. Largá-la assusta-nos.
Por essa e por outras razões (medos; convenções sociais; pressões sociais; etc…) é muito raro um homem (ou uma mulher) escolher estar sem companheiro(a) durante períodos superiores a dois meses (meramente indicativo), e, ainda assim, há quem não descanse nem mesmo por um mês. Aliás, há mesmo os que saltam de cama em cama e de colo em colo, sem intervalo e ainda os que estão com uma pessoa e já conquistaram a seguinte, não vá a primeira falhar-lhes repentinamente com um abandono ou com uma traição.
Às vezes são 30 ou 50 anos deste saltitar de paixão em paixão, sem nunca encontrar o amor. A paixão por sua vez desvanece-se quando a ilusão se apaga, como uma vela que fica sem pavio.
Conhecemos melhor essas pessoas que se vão apagando com o vento nas nossas vidas do que a nós próprios, cuja alma é eterna.
O processo de auto-conhecimento fica comprometido perante este cenário.
Afinal como é que nos podemos conhecer profundamente se muitas vezes não sabemos quem somos sem a pessoa que temos ao nosso lado?
Como saber lidar com a solidão se pouco ou nada fazemos sozinhos?

Nalguns casos, há uma dependência emocional que nos obriga a ter a companhia de alguém para tudo o que fazemos, gerando-se uma espécie de pânico quando essa companhia não está disponível.

Não deve haver medo de estarmos sozinhos porque na verdade, em 80% dos casos, estamos melhor sozinhos do com alguém.
Muitos dos casais da sociedade contemporânea são compostos por uma agenda com prazos, obrigações e limites de pagamento. Muito mais do que de sonhos e amor.

É preciso cair nesse terreno desconhecido. Viver com a nossa alma, como se ela fosse a nossa melhor amiga, porque é!
Realizar aventuras sem companhia. Fazer a mala e ir, para o Alentejo ou para o Tibete, tanto faz.
Rir a ler um livro, tomar um chá numa varanda sublime, sentir o vento no cabelo, tirar selfies que em vez de exacerbarem o ego fazem festinhas na coragem (não têm de ser publicadas, isso já é um extra).
Fazer férias sozinho/a. Ir ao cinema chorar sem ninguém ao lado.
Tomar um banho de imersão com espuma a cheirar a alfazema com o telemóvel desligado.
Acampar no bosque. Fazer um Retiro.
Cozinhar um prato gourmet para UM.
Fazer planos e pensar em sonhos que também podem ser realizados a solo.
Ir visitar um amigo. Fazer uma massagem. Passar uma tarde a ouvir música e a fazer rissóis caseiros.
Ir à praia sozinho/a e beber uma imperial no final  do dia a ver o Pôr-do-sol.
Apaziguar a alma e acarinhar a nossa criança interior.
Criar. Extravasar. Dançar. Pintar. Caminhar. Correr. Ser!
Falar com desconhecidos.

Até chegarmos ao ponto de quase não nos apetecer estar com outras pessoas.
Quando chegarmos a esse ponto, então, sim, teremos amor para dar quando regressarmos ao outros.

Em jeito de reflexão:

Já estiveste mais de 9 meses sem ninguém e inclusive sem flirts, jogos de sedução e amizades coloridas?
Já fizeste férias sozinho/a?
Cozinhas para ti próprio/a?
Consegues motivar-te para práticas saudáveis mesmo quando não tens companhia? (yoga em casa; jogging, etc…)
Consegues não alimentar flirts e tentativas de engate?
Consegues ter mais respeito por ti do que apego por uma pessoa que não te faz/faria feliz?
Já viajaste para fora do País sem companhia?
Aguentas estar dois dias sozinho/a sem ver ninguém e apreciar esse tempo como se estivesses de férias com o/a teu/tua melhor amigo/a?
Consegues passar dois dias sem telemóvel e internet?
Sentes-te motivado/a para projetos e realização de sonhos que não incluam um companheiro/a? (exemplo: um negócio, um projeto, uma viagem)

De relembrar que algumas pessoas casaram muito jovens e nunca tiveram oportunidade de aprofundar o seu auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal.
Nesses casos, após um eventual divórcio, este período de reflexão e de auto-conhecimento (e cura) será absolutamente fundamental. SEM alguém a substituir a pessoa anterior.
Quando há uma ferida no coração para curar, o melhor medicamento do mundo é o amor próprio e o pior é um/a novo/a namorado/a.

Texto e fotografia: Rute Violante

Filmes inspiradores:
“Eat, pray and love”
“Into the wild”
“Wild”