Menos é MAIS

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Imaginem que só têm um livro, que não têm estante com mini biblioteca pessoal e que não têm dinheiro para comprar mais nenhum… quão valorizado seria esse livro? Imaginem que só podem comer o vosso prato favorito de três em três meses ou porque não têm os ingredientes, ou porque não têm tempo para o preparar ou porque não têm dinheiro para comprar o que necessitam para o fazer… como vos saberá esse prato? Imaginem que nem sempre têm um local quente e seguro onde dormir todas as noites, quão valorizadas serão as noites em que se puderem aquecer e sentir seguros?

Valorizamos mais as 50 mensagens que recebemos por dia no messenger (irrefletidas, desnecessárias e às vezes vazias) ou uma carta que chega pelo correio de um amigo que vive longe?

Quanto menos temos mais valorizamos, porque o esforço é maior, porque tudo é conquistado! Por vezes, trata-se mesmo de uma questão de sobrevivência… Quando temos muito e/ou muita escolha, a tendência é para “rejeitar”, “desvalorizar”, sentir tédio e querer mais. Pelo caminho, por vezes, muitos dos valores da vida perdem-se! Entre o vulgar e o extraordinário reside o intervalo que reúne tudo e todos. O raro de alguns pode ser o “de sempre” para outros. O pouco de um pode ser muito para outro… mas na mente equilibrada e consciente, a abundância estará em todos os pequenos nadas, a felicidade estará em comer arroz branco ao pôr do sol.

As crianças de hoje em dia têm brinquedos e estímulos a mais… os quartos estão recheados de “tralha”, o roupeiro cheio de roupa “nova”, os dispositivos eletrónicos cheios de jogos e aplicações. O aborrecimento é certo… tudo distrai e nada preenche. Não serão uns bons sapatos para um menino pobre um dos seus maiores tesouros?Nalguns dias, até o pão “sem nada” será o seu maior tesouro!!! Para crianças que vivam na abundância, 7 pares de calças por vezes não chegam! (dependendo claro do nível de consciência dos pais)… E nenhum desses pares será um verdadeiro tesouro. O tesouro estará sempre na loja naquilo que ainda não tem.

Nós os adultos não somos muito diferentes. Queremos o que não temos. Queremos mais do que aquilo que precisamos. Não valorizamos presentes nem presenças nas nossas vidas.

Antigamente quando se fotografava com rolo fotográfico, um fotógrafo só podia fazer 24 ou 36 disparos com cada rolo. O rolo era caro e a revelação também. Hoje em dia tiramos 1000  fotografias numa tarde, gravamos no disco, publicamos 2 ou 3 (de preferência selfies) e nunca mais olhamos para elas.

Queremos sempre mais, mais abundância, mais dinheiro, mais férias, uma casa maior, um carro mais rápido, mais roupa, melhores restaurantes, empregos mais bem pagos, shoppings com mais lojas, telemóveis mais caros, internet mais acessível, televisão com mais canais, mais distrações, mais fugas, mais tudo, desde que…  menos de nós próprios.

«Imaginem que só têm um livro, que não têm estante com mini biblioteca pessoal e que não têm dinheiro para comprar mais nenhum… quão valorizado seria esse livro?»

Boas práticas de valorização e gratidão…

Fotografia e texto: Rute Violante

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Um pensamento sobre “Menos é MAIS

  1. Joana rita

    Quando temos menos também aprendemos a precisar de menos coisas para nos sentirmos bem. Dessa forma tornamo-nos mais livres, menos prisioneiros do sistema…. já dizia um cantor que a dependência é uma besta que dá cabo do desejo e a liberdade uma maluca que sabe quanto vale um beijo 😉

    Ser tua amiga e ter um tesouro muito valioso, grata!

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