30 e muitos sem filhos

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Quando chegamos aos 30 e muitos, já perdemos a conta à quantidade de vezes que as pessoas nos abordaram em relação ao assunto “filhos”.
Que nos questionem sobre isso, tudo bem… (enfim)…
Agora que nos digam coisas como: “Tens de fazer um!”; “Porque é que não tiveste filhos até esta idade? Devias ter aproveitado antes”… ou até; “as mulheres como tu andam para aí a curtir sem se preocuparem com isso e depois de repente querem milagres!!!”…
Tendo em conta que pouco ou nada sabem sobre a nossa vida, isso é… inconcebível!

Também já perdi a conta à quantidade de vezes que me disseram:
“Já não precisas de homem para isso!”
“Podes fazer produção independente!”
“Já que és tão alternativa (entenda-se: tens a mania que és diferente) também não precisas de casar para isso!”
“Podes fazer inseminação artificial!”
“Podes adotar!”
“Não sabes escolher os homens com quem te envolves!”
“És esquisita!”
“Não precisas de ter filhos teus! Os teus sobrinhos e os teus alunos são como filhos!”

Entre outras coisas menos simpáticas que prefiro nem repetir…

Claro que é tudo verdade, todavia, será que uma mulher mesmo perto dos 40 anos de idade pode ter o sonho e a vontade de ter um filho biológico, em família, em casal, de forma tradicional, fazendo amor com a pessoa com quem quer partilhar a sua vida??!
Dá para aceitar que uma pessoa consciente ou alternativa (aos olhos dos outros) pode querer um amor verdadeiro e uma família “normal”?!
Não será mais saudável não comentar do que dizer disparates que podem ferir susceptibilidades ou passar os limites do razoável?

E se uma mulher com esta ou outra idade simplesmente não quiser ter filhos, porque é que tem de andar constantemente a ouvir esta ladainha e a sofrer pressões sociais nesse sentido?! Não quer, não quer! O corpo é dela e a vida também!

Também pode acontecer o oposto, uma mulher decidir efetivamente fazer inseminação artificial, adotar uma criança sozinha ou eventualmente pedir a um amigo para conceber um filho com ela.
São escolhas legítimas e conscientes e que não devem ser criticadas por quem está de fora. Mais uma vez, a vida é dela! (também haveria uma panóplia de comentários inadequados que eu poderia mencionar aqui sobre o que uma mulher ouve quando toma uma decisão dessas).

Uma mulher também pode escolher ser uma mulher solteira com ou sem relacionamento duradouro, tendo outros planos para a sua vida que não incluam filhos.

Se não conhecemos os detalhes da vida de uma pessoa, não devemos julgar, comentar ou fazer sugestões que podem magoar esse alguém.

A vida pode ter outros planos para nós ou nós podemos ter outros planos para a vida.
Tudo é possível e estamos sempre a tempo de realizar sonhos. Os sonhos são nossos e ninguém tem o direito de lhes tocar ou de os destruir…
Ninguém precisa de saber o nosso passado e também ninguém tem nada a ver com o nosso futuro. Partilhamos esses detalhes mais pessoais e íntimos com quem nos entende e com quem nos conhece.

Porque é que em vez disso não começam por perguntar: És feliz?

Mais respeito, mais amor e mais compreensão… precisa-se!

Texto e fotografia: Rute Violante

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