Sem ninguém

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Uma das maiores dificuldades do ser humano é enfrentar a solidão ou aprender a estar só para estar tão bem consigo como com a companhia de alguém.
Em consequência da carência extrema em que vivemos na sociedade contemporânea, quase ninguém se propõe deliberadamente a estar “só” ou a viver “só”, nem que seja temporariamente.
A dependência de ter alguém (companheiro/a; marido/esposa; namorado/a) é talvez o maior vício que trazemos às costas e é uma mochila que carregamos mesmo quando ela nos pesa e nos magoa. Largá-la assusta-nos.
Por essa e por outras razões (medos; convenções sociais; pressões sociais; etc…) é muito raro um homem (ou uma mulher) escolher estar sem companheiro(a) durante períodos superiores a dois meses (meramente indicativo), e, ainda assim, há quem não descanse nem mesmo por um mês. Aliás, há mesmo os que saltam de cama em cama e de colo em colo, sem intervalo e ainda os que estão com uma pessoa e já conquistaram a seguinte, não vá a primeira falhar-lhes repentinamente com um abandono ou com uma traição.
Às vezes são 30 ou 50 anos deste saltitar de paixão em paixão, sem nunca encontrar o amor. A paixão por sua vez desvanece-se quando a ilusão se apaga, como uma vela que fica sem pavio.
Conhecemos melhor essas pessoas que se vão apagando com o vento nas nossas vidas do que a nós próprios, cuja alma é eterna.
O processo de auto-conhecimento fica comprometido perante este cenário.
Afinal como é que nos podemos conhecer profundamente se muitas vezes não sabemos quem somos sem a pessoa que temos ao nosso lado?
Como saber lidar com a solidão se pouco ou nada fazemos sozinhos?

Nalguns casos, há uma dependência emocional que nos obriga a ter a companhia de alguém para tudo o que fazemos, gerando-se uma espécie de pânico quando essa companhia não está disponível.

Não deve haver medo de estarmos sozinhos porque na verdade, em 80% dos casos, estamos melhor sozinhos do com alguém.
Muitos dos casais da sociedade contemporânea são compostos por uma agenda com prazos, obrigações e limites de pagamento. Muito mais do que de sonhos e amor.

É preciso cair nesse terreno desconhecido. Viver com a nossa alma, como se ela fosse a nossa melhor amiga, porque é!
Realizar aventuras sem companhia. Fazer a mala e ir, para o Alentejo ou para o Tibete, tanto faz.
Rir a ler um livro, tomar um chá numa varanda sublime, sentir o vento no cabelo, tirar selfies que em vez de exacerbarem o ego fazem festinhas na coragem (não têm de ser publicadas, isso já é um extra).
Fazer férias sozinho/a. Ir ao cinema chorar sem ninguém ao lado.
Tomar um banho de imersão com espuma a cheirar a alfazema com o telemóvel desligado.
Acampar no bosque. Fazer um Retiro.
Cozinhar um prato gourmet para UM.
Fazer planos e pensar em sonhos que também podem ser realizados a solo.
Ir visitar um amigo. Fazer uma massagem. Passar uma tarde a ouvir música e a fazer rissóis caseiros.
Ir à praia sozinho/a e beber uma imperial no final  do dia a ver o Pôr-do-sol.
Apaziguar a alma e acarinhar a nossa criança interior.
Criar. Extravasar. Dançar. Pintar. Caminhar. Correr. Ser!
Falar com desconhecidos.

Até chegarmos ao ponto de quase não nos apetecer estar com outras pessoas.
Quando chegarmos a esse ponto, então, sim, teremos amor para dar quando regressarmos ao outros.

Em jeito de reflexão:

Já estiveste mais de 9 meses sem ninguém e inclusive sem flirts, jogos de sedução e amizades coloridas?
Já fizeste férias sozinho/a?
Cozinhas para ti próprio/a?
Consegues motivar-te para práticas saudáveis mesmo quando não tens companhia? (yoga em casa; jogging, etc…)
Consegues não alimentar flirts e tentativas de engate?
Consegues ter mais respeito por ti do que apego por uma pessoa que não te faz/faria feliz?
Já viajaste para fora do País sem companhia?
Aguentas estar dois dias sozinho/a sem ver ninguém e apreciar esse tempo como se estivesses de férias com o/a teu/tua melhor amigo/a?
Consegues passar dois dias sem telemóvel e internet?
Sentes-te motivado/a para projetos e realização de sonhos que não incluam um companheiro/a? (exemplo: um negócio, um projeto, uma viagem)

De relembrar que algumas pessoas casaram muito jovens e nunca tiveram oportunidade de aprofundar o seu auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal.
Nesses casos, após um eventual divórcio, este período de reflexão e de auto-conhecimento (e cura) será absolutamente fundamental. SEM alguém a substituir a pessoa anterior.
Quando há uma ferida no coração para curar, o melhor medicamento do mundo é o amor próprio e o pior é um/a novo/a namorado/a.

Texto e fotografia: Rute Violante

Filmes inspiradores:
“Eat, pray and love”
“Into the wild”
“Wild”

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