Caminhos de Santiago – para quê?

Sant' Yoga

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Porquê passar uma semana de férias a caminhar com uma mochila às costas?

A resposta está na própria pergunta.
Para caminhar com “a vida” nas costas e com isso fazermos “férias” da nossa vida quotidiana e rotineira e da nossa mente que nos mente continua(mente).

A mochila simboliza o peso que carregamos, a nossa própria vida, o nosso passado, os nossos sonhos, a nossa ansiedade, o nosso ego, o apego e até as necessidades supérfluas.

“Conhece o que levas na mala e conheces-te a ti próprio/a…”
A mochila representa os pensamentos que nos complicam a vida e nos turvam a visão sobre o amor e sobre a verdade.

Que peso carregas às costas? Quanto desse peso consegues descartar e continuar a viver?
A resposta é quase óbvia: Todo!

Na verdade, se formos honestos e se analisarmos sem ponta de medo, podemos sobreviver apenas com água e alguma comida  (desde que…

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30 e muitos sem filhos

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Quando chegamos aos 30 e muitos, já perdemos a conta à quantidade de vezes que as pessoas nos abordaram em relação ao assunto “filhos”.
Que nos questionem sobre isso, tudo bem… (enfim)…
Agora que nos digam coisas como: “Tens de fazer um!”; “Porque é que não tiveste filhos até esta idade? Devias ter aproveitado antes”… ou até; “as mulheres como tu andam para aí a curtir sem se preocuparem com isso e depois de repente querem milagres!!!”…
Tendo em conta que pouco ou nada sabem sobre a nossa vida, isso é… inconcebível!

Também já perdi a conta à quantidade de vezes que me disseram:
“Já não precisas de homem para isso!”
“Podes fazer produção independente!”
“Já que és tão alternativa (entenda-se: tens a mania que és diferente) também não precisas de casar para isso!”
“Podes fazer inseminação artificial!”
“Podes adotar!”
“Não sabes escolher os homens com quem te envolves!”
“És esquisita!”
“Não precisas de ter filhos teus! Os teus sobrinhos e os teus alunos são como filhos!”

Entre outras coisas menos simpáticas que prefiro nem repetir…

Claro que é tudo verdade, todavia, será que uma mulher mesmo perto dos 40 anos de idade pode ter o sonho e a vontade de ter um filho biológico, em família, em casal, de forma tradicional, fazendo amor com a pessoa com quem quer partilhar a sua vida??!
Dá para aceitar que uma pessoa consciente ou alternativa (aos olhos dos outros) pode querer um amor verdadeiro e uma família “normal”?!
Não será mais saudável não comentar do que dizer disparates que podem ferir susceptibilidades ou passar os limites do razoável?

E se uma mulher com esta ou outra idade simplesmente não quiser ter filhos, porque é que tem de andar constantemente a ouvir esta ladainha e a sofrer pressões sociais nesse sentido?! Não quer, não quer! O corpo é dela e a vida também!

Também pode acontecer o oposto, uma mulher decidir efetivamente fazer inseminação artificial, adotar uma criança sozinha ou eventualmente pedir a um amigo para conceber um filho com ela.
São escolhas legítimas e conscientes e que não devem ser criticadas por quem está de fora. Mais uma vez, a vida é dela! (também haveria uma panóplia de comentários inadequados que eu poderia mencionar aqui sobre o que uma mulher ouve quando toma uma decisão dessas).

Uma mulher também pode escolher ser uma mulher solteira com ou sem relacionamento duradouro, tendo outros planos para a sua vida que não incluam filhos.

Se não conhecemos os detalhes da vida de uma pessoa, não devemos julgar, comentar ou fazer sugestões que podem magoar esse alguém.

A vida pode ter outros planos para nós ou nós podemos ter outros planos para a vida.
Tudo é possível e estamos sempre a tempo de realizar sonhos. Os sonhos são nossos e ninguém tem o direito de lhes tocar ou de os destruir…
Ninguém precisa de saber o nosso passado e também ninguém tem nada a ver com o nosso futuro. Partilhamos esses detalhes mais pessoais e íntimos com quem nos entende e com quem nos conhece.

Porque é que em vez disso não começam por perguntar: És feliz?

Mais respeito, mais amor e mais compreensão… precisa-se!

Texto e fotografia: Rute Violante

Sem ninguém

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Uma das maiores dificuldades do ser humano é enfrentar a solidão ou aprender a estar só para estar tão bem consigo como com a companhia de alguém.
Em consequência da carência extrema em que vivemos na sociedade contemporânea, quase ninguém se propõe deliberadamente a estar “só” ou a viver “só”, nem que seja temporariamente.
A dependência de ter alguém (companheiro/a; marido/esposa; namorado/a) é talvez o maior vício que trazemos às costas e é uma mochila que carregamos mesmo quando ela nos pesa e nos magoa. Largá-la assusta-nos.
Por essa e por outras razões (medos; convenções sociais; pressões sociais; etc…) é muito raro um homem (ou uma mulher) escolher estar sem companheiro(a) durante períodos superiores a dois meses (meramente indicativo), e, ainda assim, há quem não descanse nem mesmo por um mês. Aliás, há mesmo os que saltam de cama em cama e de colo em colo, sem intervalo e ainda os que estão com uma pessoa e já conquistaram a seguinte, não vá a primeira falhar-lhes repentinamente com um abandono ou com uma traição.
Às vezes são 30 ou 50 anos deste saltitar de paixão em paixão, sem nunca encontrar o amor. A paixão por sua vez desvanece-se quando a ilusão se apaga, como uma vela que fica sem pavio.
Conhecemos melhor essas pessoas que se vão apagando com o vento nas nossas vidas do que a nós próprios, cuja alma é eterna.
O processo de auto-conhecimento fica comprometido perante este cenário.
Afinal como é que nos podemos conhecer profundamente se muitas vezes não sabemos quem somos sem a pessoa que temos ao nosso lado?
Como saber lidar com a solidão se pouco ou nada fazemos sozinhos?

Nalguns casos, há uma dependência emocional que nos obriga a ter a companhia de alguém para tudo o que fazemos, gerando-se uma espécie de pânico quando essa companhia não está disponível.

Não deve haver medo de estarmos sozinhos porque na verdade, em 80% dos casos, estamos melhor sozinhos do com alguém.
Muitos dos casais da sociedade contemporânea são compostos por uma agenda com prazos, obrigações e limites de pagamento. Muito mais do que de sonhos e amor.

É preciso cair nesse terreno desconhecido. Viver com a nossa alma, como se ela fosse a nossa melhor amiga, porque é!
Realizar aventuras sem companhia. Fazer a mala e ir, para o Alentejo ou para o Tibete, tanto faz.
Rir a ler um livro, tomar um chá numa varanda sublime, sentir o vento no cabelo, tirar selfies que em vez de exacerbarem o ego fazem festinhas na coragem (não têm de ser publicadas, isso já é um extra).
Fazer férias sozinho/a. Ir ao cinema chorar sem ninguém ao lado.
Tomar um banho de imersão com espuma a cheirar a alfazema com o telemóvel desligado.
Acampar no bosque. Fazer um Retiro.
Cozinhar um prato gourmet para UM.
Fazer planos e pensar em sonhos que também podem ser realizados a solo.
Ir visitar um amigo. Fazer uma massagem. Passar uma tarde a ouvir música e a fazer rissóis caseiros.
Ir à praia sozinho/a e beber uma imperial no final  do dia a ver o Pôr-do-sol.
Apaziguar a alma e acarinhar a nossa criança interior.
Criar. Extravasar. Dançar. Pintar. Caminhar. Correr. Ser!
Falar com desconhecidos.

Até chegarmos ao ponto de quase não nos apetecer estar com outras pessoas.
Quando chegarmos a esse ponto, então, sim, teremos amor para dar quando regressarmos ao outros.

Em jeito de reflexão:

Já estiveste mais de 9 meses sem ninguém e inclusive sem flirts, jogos de sedução e amizades coloridas?
Já fizeste férias sozinho/a?
Cozinhas para ti próprio/a?
Consegues motivar-te para práticas saudáveis mesmo quando não tens companhia? (yoga em casa; jogging, etc…)
Consegues não alimentar flirts e tentativas de engate?
Consegues ter mais respeito por ti do que apego por uma pessoa que não te faz/faria feliz?
Já viajaste para fora do País sem companhia?
Aguentas estar dois dias sozinho/a sem ver ninguém e apreciar esse tempo como se estivesses de férias com o/a teu/tua melhor amigo/a?
Consegues passar dois dias sem telemóvel e internet?
Sentes-te motivado/a para projetos e realização de sonhos que não incluam um companheiro/a? (exemplo: um negócio, um projeto, uma viagem)

De relembrar que algumas pessoas casaram muito jovens e nunca tiveram oportunidade de aprofundar o seu auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal.
Nesses casos, após um eventual divórcio, este período de reflexão e de auto-conhecimento (e cura) será absolutamente fundamental. SEM alguém a substituir a pessoa anterior.
Quando há uma ferida no coração para curar, o melhor medicamento do mundo é o amor próprio e o pior é um/a novo/a namorado/a.

Texto e fotografia: Rute Violante

Filmes inspiradores:
“Eat, pray and love”
“Into the wild”
“Wild”