Integração

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Integração – ato ou efeito de integrar(se); incorporação de um elemento num conjunto; operação inversa da diferenciação (…)

Integral – que não sofreu qualquer diminuição ou restrição; total; completo; inteiro

Integridade – estado ou caraterística daquilo que está inteiro, que não sofreu qualquer diminuição; plenitude; inteireza; caráter, qualidade de uma pessoa íntegra, honesta, incorruptível

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A integração remete para a união, sendo o oposto da separação, da dualidade, da xenofobia, do racismo e de qualquer tipo de preconceito e julgamento. Todos são dignos de “fazer parte”, de “pertencer” a uma tribo, uma família, uma comunidade ou um grupo porque na verdade somos todos diferentes mas iguais (hologramas e centelhas do mesmo). Mas a integração também se pode integrar noutros contextos, por exemplo, eu posso assimilar novo conhecimento através de ações que mostrem esta sabedoria no seu sentido prático (na aplicação).
Então talvez a grande falha de quase todos nós resida nesta incapacidade de integrar a suposta sabedoria teórica de forma honesta nas nossas ações. Trata-se essencialmente de uma fenda entre a teoria e a prática.
Por exemplo, eu serei mais íntegra (inteiro) se ajudar a integrar os outros e isso fará com que nunca discrimine ou julgue os outros (o que porventura me dará um retorno semelhante – como um boomerang). Eu serei mais íntegra se me integrar a mim própria nos grupos a que gosto de pertencer, sem soberba, arrogância ou superioridade (em humildade).
Eu serei mais íntegra se for honesta e isso implica nunca mentir, manipular ou deixar-me corromper por quem quer que seja.
Quantos de nós não alimentam práticas espirituais ou religiosas para depois criticar políticas de integração de refugiados ou responder de forma antipática a um pedinte. A compaixão seria a qualidade a “integrar” neste caso.
O julgamento do outro é fácil e a comparação é um combustível lastimável. Mas quem somos nós para julgar o outro? Porque é que em vez apontar o dedo, não estendemos a mão? A diferença está em substituir a crítica egóica pela compaixão, o amor falso pelo amor incondicional.

Ser íntegro/a é sexy! Porque se é inteiro, honesto e se age de acordo com valores e princípios incorruptíveis. Porque se diz a verdade. Porque não se rouba, porque se tomam decisões e ações conscientes e responsáveis não só em nosso benefício mas em benefício do outro. Ser íntegro também passa por ser altruísta e por uma preocupação com o bem comum (conduta irrepreensível). Implica ser justo e imparcial. Implica até e muito bem, inocência.

Lamento dizê-lo mas pessoas íntegras nos dias de hoje não existem, quando muito talvez as crianças conseguissem estar à altura do “estatuto” :), porque são honestas (sem filtro), são puras; são inteiras e em princípio preocupam-se com os outros sem discriminar e agem de acordo com o que pensam (porque na verdade ainda pensam pouco e se regem pelo valor universal do amor e da genuinidade). Uma criança pode perguntar: “porque é que és gorda?” mas não o diz em tom de crítica mas antes em busca da compreensão das diferenças, mantendo acesa a chama do amor e da integração.
Sim, todos sabemos que infelizmente há crianças mazinhas que magoam outras crianças mas essas serão exceção e muito provavelmente são crianças sofredoras com um mau ambiente familiar no qual aprendem a separar e a odiar em vez de integrar e amar (exceções à regra que nasceram no seio de famílias desintegradas e que ainda assim merecem todo o nosso amor e toda a nossa compaixão). Esta questão da integração deve ser ensinada precisamente desde o berço. Porque não há berços de ouro e berços de palha, há apenas berços.

Podemos trabalhar na “integração” do conceito de “integração” na nossa vida. Integrar mais amigos no grupo, integrar o não julgamento na nossa mente, integrar o conceito de que somos todos o mesmo e que todos nascemos e morremos com livre arbítrio entre suspiros. Que o livre arbítrio nos permita “integrar” bons pensamentos e boas ações nesse caminho que é conjunto.
“Integrar” é… entregar amor e conhecimento. Assim seja.

Não esquecendo que a nossa mente projeta a nossa realidade e que projetar qualquer tipo de separação nos separa a nós dos outros também.

É muito curioso também que na base da alimentação macrobiótica (que se refere a uma vida GRANDE – na sua etimologia) estejam os cereais INTEGRAIS. Desta forma, estamos a alimentar o corpo com alimentos integrais, alimentos que são inteiros e puros… claro está que isso tem repercussões na mente (tornando-a menos dualista) e no espírito (integração do amor universal).

«(…) após o nosso nascimento neste mundo, desenvolvemos os nossos sentidos, as nossas emoções, a nossa consciência social. Tudo isso se desenvolve cada vez mais. Algo como o amor: a princípio, existe o amor por nós próprios, o amor pelo ser oposto, o nosso namorado ou namorada, depois, amor pelos vizinhos, pela sociedade, pelos povos, amor pelo mundo inteiro. E não só amamos a sociedade humana, mas também os animais, as plantas, TUDO!»
Michio Kushi, in “Macrobiótica: seminários de Michio Kushi 1977 – uma nova era com a revolução biológica da humanidade”

Texto: Rute Violante
Fotografia: Rute Violante
Metadança | Festival de artes performativas 2016 | Leiria
Criação de João Fernandes

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Amor, o próprio!

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O que é isso afinal do amor próprio?

Começo por falar de auto-responsabilidade o que implica que somos acima de tudo responsáveis pela nossa própria felicidade, o que acaba por expulsar do “altar” todas as outras pessoas a quem outrora atribuímos essa “responsabilidade”. O desenvolvimento pessoal trata precisamente da preocupação com nós próprios, fazendo desaparecer culpas alheias.

O amor próprio tem a ver com a segurança interna, com a capacidade que temos de dar segurança e bem-estar a nós próprios, conhecendo os nossos talentos e as nossas virtudes e aceitando também os nossos defeitos e fragilidades. Parece simples :).
Não havendo auto-respeito e auto-compaixão, o amor próprio não será possível, o que fará com que os outros também não tenham respeito e preocupação para conosco.

Se uma pessoa se sentir bem consigo própria, quando as outras pessoas a conhecerem, isso saltará à vista, essencialmente porque sentirão que aquela pessoa se preza e se respeita independentemente da aprovação alheia (“As within, so without” – Hermes Trismegistus).

O conceito passará por termos uma bússola interna de confiança em vez de um barômetro multipolar com Parkinson regido por todas as pessoas que nos rodeiam. A desaprovação de alguém não passa de uma opinião e isso não deve abalar o nosso suposto centramento.
A auto-confiança implica também um certo distanciamento em relação às críticas externas. Elas existem, são respeitadas mas não nos devem abalar emocionalmente. Isso terá a ver também com a noção de não existir certo ou errado e da nossa própria visão ser tão válida quanto a dos outros.
Uma pessoa sem amor próprio pensará que jamais conseguirá aquele emprego, aquele prémio, aquela pessoa… mas isso são apenas armadilhas do ego e do medo. Podemos tudo!… especialmente tentar, isso é um direito que nos assiste. Nunca se perde nada.
Os pensamentos negativos e as crenças internas (calcificadas desde a infância) são o que nos impede de sentir esse amor próprio. Aquele namorado que disse que tínhamos o rabo grande, a mãe que disse para não mostrarmos as coxas, a amiga que disse que tínhamos o peito descaído, a professora que censurou a nossa criatividade… tudo serviu para que a nossa auto-confiança e naturalidade se mascarasse de medos, bloqueios e/ou roupa a mais. A solução é meditar, “mascar e deitar fora”. Ter consciência das crenças limitadoras e resolver “afastá-las”. A cura também pode passar pela programação neuro-linguística contrária à tendência negativista.

“Desenvolver a auto-estima significa, entre outras coisas, trazer o nosso poder pessoal para nós mesmos e não entregá-lo aos outros, ou seja, não condicionar a nossa felicidade e valor a nada do que esteja fora. Isto dá-nos condições para lidar com a rejeição, pois finalmente conseguimos, não só entender, mas também aceitar que o outro não é obrigado a gostar de nós e que isto não influi no amor que sentimos por nós mesmos.” Ceci Akamatsu, in «Deixe-se de ilusões e transforme a sua vida afetiva»

Um dia destes vi um filme com uma proposta de terapia bastante interessante. Imaginem a vossa criança interior (visualizem-se em criança) e agora tentem dizer-lhe tudo o que pensam e pensaram de negativo em relação a vocês ao longo da vossa vida… não são capazes, pois não? Claro que não! Merecemos todo o amor do mundo como uma criança que será sempre “bonita”, inteligente e merecedora.