Os terapeutas dos terapeutas

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Fotografia: Rute Violante

Entendemos aqui “terapeutas” num sentido abrangente: psicólogos, terapeutas holísticos, terapeutas emocionais, etc… (ainda que especialmente no contexto do equilíbrio emocional e espiritual).

Os terapeutas também precisam de terapeutas e de “orientação”.
Ainda que muitos terapeutas sejam exímios a “orientar” os outros, faltar-lhes-á o discernimento e o distanciamento para si próprios.
Convenhamos que a visão da sua própria vida será não só demasiado próxima mas também extremamente tendenciosa. Haverá dificuldade em analisar as situações pessoais com um olhar neutro e/ou sem culpabilização e/ou auto-julgamento. Provavelmente também não haverá facilidade em ver as situações com “outros olhos”.  Ou seja, por vezes, manipular-se-ão a si próprios, enganando-se com ilusões.

Ainda que possam saber muito, ter muita experiência, ler muito e ter muita experiência terapêutica, dificilmente se saberão ouvir com os “ouvidos” desapegados das crenças internas calcificadas. Na maior parte das vezes nem conversam consigo próprios, faltando esse diálogo interno. Ouvindo algo de outro terapeuta que respeitam, a mensagem terá outra “força”. Às vezes basta um “pequeno toque” para uma tomada de consciência em relação a algo. Claro está que a tomada de consciência será a pedra de toque para o início do processo de cura.

O ego do terapeuta será outra das barreiras a combater no seu processo de cura. Muitas vezes considerará que não precisa de “orientação” porque é terapeuta, ou porque não há nada de novo para ouvir ou saber. Esse será outro erro, a análise do outro estará sempre recheada de surpresas, de detalhes aos quais fechou os olhos ou que se escondiam no inconsciente.
Para além disso, será interessante analisar a teoria de que o terapeuta não é “curador/salvador”, o terapeuta “coloca-se” ao serviço e a cura “flui” através de si. Posto isto, o ego tornar-se-á um erro de análise.

A nudez “emocional” perante o outro despoletará um lugar de vulnerabilidade, fragilidade e humildade, uma rendição perante a condição humana e suas “vicissitudes”. A premissa básica de que todos precisamos uns dos outros é igualmente verdadeira neste contexto.
Alguém poderá pensar que um/a amigo/a será um excelente ouvinte ou terapeuta, abdicando assim da necessidade de recorrer a um terapeuta profissional (provavelmente desconhecido). Na verdade, o amigo é um amigo, não é um terapeuta, mesmo que faça disso profissão. Pode dizer-nos as maiores verdades, dar-nos a melhor orientação e, no entanto, não acataremos essas opiniões da mesma forma como respeitaremos a opinião de um terapeuta desconhecido. Mas pior do que isso, caso o/a amigo/a seja honesto/a e toque em pontos sensíveis, isso poderá gerar uma discussão ou um desconforto que abala a amizade.

O terapeuta “ajuda” as outras pessoas e por vezes fica energeticamente poluído. O recurso a outro terapeuta será importante para o seu próprio processo de cura e também como forma de “purificação”. O recurso a outro terapeuta recomenda-se e de preferência com alguma assiduidade.

O terapeuta é acima de tudo um ser humano tendo sempre também desafios na sua vida pessoal. Seria ingénuo pensar que os terapeutas não sofrem ou não ficam descompensados em alguns períodos da sua vida.

Sugere-se responsabilidade (para que o terapeuta saiba quando deve recorrer a outro terapeuta), auto-compaixão (para que se olhe e cuide de forma carinhosa), humildade (para reconhecer que também precisa de ajuda) e merecimento (lembrando-se que o sol quando nasce é para todos e que, como tal, também merece ajuda e orientação).

.Bom caminho!

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