Essa qualidade de ser MULHER…

bui-le-trang

A existência da Mulher é, em natureza primordial, a do “Caminho da Deusa” – a da ligação consciente à divina Mãe Terra, aos seus ciclos naturais, à dimensão lunar. Será que alcançamos que grande parte dos desequilíbrios, doenças e guerras atuais se devem à desconexão humana com a dimensão feminina do SER?  Quando foi que nos esquecemos que estamos todos (mulheres e homens) conectados com esta força – fonte pura de amor?

O Sagrado feminino representa na dimensão física: RECONCILIAÇÃO, VIDA, RENOVAÇÃO, CRIAÇÃO, RENASCIMENTO, CURA, RECEPTIVIDADE, ABERTURA, NUTRIÇÃO, AMOR, COMPREENSÃO, COMPAIXÃO, “INSIGHT”, INTUIÇÃO, SABEDORIA, PERDÃO, a LUA, CONEXÃO, HARMONIA e expressão respeitosa em SACRALIDADE plena no corpo (templo da alma) e espírito.
As MULHERES – porque estão nesta vida num corpo feminino – possuem maior potencial de honrar e expandir, em divino esplendor, o seu alinhamento com o Sagrado Feminino :). A sua gestação – desde o primeiro momento assim o determinou.
O resgate da essência  feminina faz com que, hoje, cada vez mais mulheres elevem conjuntamente as suas vozes e os seus corações – em círculo – celebrando e honrando por todo o mundo a sua LIBERDADE e o seu lado selvagem. Porém, é importante falar sobre algumas questões…
Essencialmente será importante frisar que honrar o sagrado feminino e o resgate da MULHER SELVAGEM não é de todo ser feminista, mas antes tomar consciência do quão sagrada e intuitiva é cada mulher – é um grito de empoderamento pessoal – saber que cada útero é o cálice das memórias do mundo. Também é assumir o compromisso de desenvolver e curar a nossa energia feminina ferida, SEM que para isso tenhamos de atacar os homens ou estar contra eles, muito pelo contrário, a cura tem a ver com o equilíbrio e RESPEITO mútuo entre géneros. Interdependência e compreensão. Só assim crescemos todos juntos.

No entanto, a operacionalização destes princípios no dia a dia continua a ser um grande desafio… frente a um patriarcado desenfreado que pouco espaço parece deixar para nutrir verdadeiramente a natureza feminina. Isto de se SER mulher tem o que se lhe diga… Ainda são poucas as vezes que somos verdadeiramente valorizadas.  Por onde começar? Talvez possamos começar pela auto-compaixão e pelo respeito pelo ser divino que somos, trazendo com isso respeito e valorização externa.
A questão é que muitas vezes nem nós temos consciência de como somos fortes, templos vivos, trabalhadoras, lutadoras, bonitas, criativas, honestas, empreendedoras, maternais, facilitadoras, comunicadoras e alquimistas. Somos tanta coisa…
Somos mulheres, somos profissionais, artistas e/ou executivas, somos esposas/companheiras, amigas e mães. Somos tanta beleza e potencial… porque é que ainda seguimos feridas pelo legado de submissão das gerações passadas que em boicote também transpomos para esta encarnação, graças ao peso das crenças culturais que, quer queiramos quer não, ainda existem em nós.

Mas o que é que isto acarreta na verdade?!

Digamos que existem convenções sociais e expectativas que fazem parte do imaginário coletivo e que ainda atrapalham bastante no nosso caminho:

Uma delas é a necessidade ilusória de nos transformarmos na mulher perfeita – e às vezes isto pode incluir coisas como – que é preciso fazer amor com o marido/companheiro 4 ou 5 vezes por semana (mínimo), sermos super cultas e bem sucedidas a todos os níveis. A mulher magnífica terá uma carreira profissional reconhecida. A mulher espetacular será mãe de pelo menos 2 filhos (se for casalinho ainda melhor!). A mulher maravilhosa tem sempre as pernas impecáveis sem um pêlo à vista. Não nos esqueçamos que deve cozinhar divinamente não sei quantas vezes ao dia, arrumar a casa mantendo-a impecável (diariamente), lavar a roupa, estendê-la e passá-la a ferro… tratar dos filhos (fraldas, banhos, lanches, escolinha, roupa, blá, blá, blá…).
Também será conveniente que se vista sempre em estilo super sexy… nem que isso signifique usar mini saia em pleno Inverno, salto agulha para andar nos paralelos da rua direita e maquilhagem para se parecer com uma modelo profissional. Com o devido respeito pelas diferenças e escolhas de cada uma, onde é que tudo isto apraz a expressão da beleza natural e selvagem da mulher per si? (a sua inteligência e dons inatos não dependem de cumprir com o “figurino” – ou não será assim?)

A pressão social sobre as mulheres é ENORME e a desinformação de que há alternativas ao que parece instituído faz deste tema um colosso!

Eis algumas outras crenças vigentes-  Outros exemplos de expressões comuns:

a) ir ao ginásio todas as semanas para se manter firme e “boa” – parece ser bom sinal quando a mulher é cobiçada pelos amigos do companheiro ou marido. Ufff…
b) ler os livros da “moda” para ser culta.
c) ajudar as pessoas todas à sua volta sendo compassiva como a Princesa Diana.
d) fazer bolos como a Ti Antónia… tantos mais outros exemplos!!

Ora… entre 40 horas de trabalho profissional, 5 horas de sexo, 10 horas a tratar da casa, 5 horas a cozinhar, 2 horas a tratar da roupa, 20 horas a tratar dos filhos (quando não é a tempo inteiro quando eles nascem), 5 horas no ginásio, 5 horas por semana a tratar de depilação, cabelos, unhas, roupa e maquilhagem, 2 horas a ler, 5 horas a ajudar pessoas, 1 hora a pagar contas e tratar de burocracias da casa, 1 hora a fazer bolos… temos 102 horas, o que dividindo por 7 dias dá uma média de 14,5 horas por dia de trabalho diário para ser uma mulher maravilhosa… o que será das 8 da manhã à meia-noite, aproximadamente… non stop.

Se ser mulher tem de ser tão desgastante… lá se vai o sagrado feminino num instante!!

Este estudo absurdo serve para alegarmos o seguinte:

Ser mulher não é fácil… é difícil, todos os dias…
Como “parar” para nos olharmos com amor, honrando as nossas ancestrais e aquilo que elas também sofrerem pela carga excessiva de trabalho e de expectativas colocadas sobre si?  Talvez começando por mudar o que estiver ao nosso alcance para equilibrar os nossos relacionamentos – por exemplo – de forma a que algumas tarefas possam ser compartidas e apoiadas. Descansando nas fases em que o ciclo menstrual assim nos instrui. Sermos amadas, respeitadas e apoiadas pelos homens com que escolhemos partilhar-nos. Que eles possam despertar para o nosso valor e sagrado a cada dia – florescendo em conjunto, num compromisso bonito e dedicado. Sermos as primeiras a elogiar e a admirar o quão maravilhosas somos.
Aprender a olhar para a nossa vida e reconhecer que somos guerreiras e agentes de revolução constante. Alquímicas, curandeiras, oráculos que caminham…
Olhar para as outras mulheres como irmãs e companheiras de jornada fazendo-lhes uma vénia ao quão corajosas e belas que são também. Relembrar a sacralidade do corpo e a ligação de cada útero ao útero da Terra. Somos suas filhas muito amadas. Unidas podemos transformar para melhor tudo o que nos rodeia. Sem competições entre nós, nem negação das qualidades do feminino livre que tanta cura pode trazer às mentes humanas.

Somos um mundo tão infinito… somos TERRA, somos ÁGUA, somos MATÉRIA, somos LUA, somos SENSIBILIDADE, somos VENTRE, somos preto que dá à LUZ… somos medicina e CURA!!

A mulher não tem de se comportar como um  homem para ser aceite social e culturalmente – Aceitar que há diferenças enormes entre os dois géneros é saudável e isso não faz das mulheres menos capazes ou importantes na sociedade. Se cada género trabalhar com as ferramentas e hormonas que trouxe ao mundo – aceitando a sua natureza – o equilíbrio pode restabelecer-se e todos seremos mais felizes e INTEIROS.

Mais assuntos para refletir…

Colocar chips para não ter menstruação… porque é “preciso” trabalhar todos os dias na mesma intensidade em qualquer fase da Lua ou estação do ano… (ora, a natureza orgânica da mulher não veio preparada para este tipo de violência); tomar comprimidos para não sentir dor… drogar-se para fugir das mágoas e raivas, esconder a sua fragilidade, tornar-se competitiva e agressiva na carreira… tantos exemplos… que ajudam a negar o poder feminino. Por vezes escolher até não ter filhos para agradar ao companheiro ou porque a carreira está em primeiro lugar.

A mulher é uma cuidadora e quando deixa de cuidar de si própria enquanto mulher que é… perde a ligação à consciência do útero e apaga a sua chama de energia feminina. A fragilidade, o choro e os aspectos “lunáticos” das mulheres são diamantes puros, força viva que move montanhas. Não são fraquezas a ser escondidas – são PODER!

A mulher precisa de chorar, mostrar a sua fragilidade… merece viver tranquila por aceitação dos seus vários ciclos e estádios. Precisa de receber AMOR, sentir-se AMADA e protegida – estando sozinha ou acompanhada. Sabemos que pelo nosso sangue circulam as memórias ancestrais, a cura e o poder de elevar a consciência de Amor.

“Ahooo” a todas as mulheres que “sozinhas” levam este barco para a frente em consciência e sem negar a sua energia feminina.
“Ahoo” a todas as mulheres que fazem o que podem e conseguem, de acordo com o melhor que sabem e “acedem” a cada momento.
“Ahoo” a todas as mulheres que esperam para estar com um companheiro que honre o quão maravilhosas são…
“Ahoo” a todas as mulheres que encontraram o homem guerreiro sagrado que honra a sua energia feminina e útero, escutando-as, cuidando-as quando adoecem, colaborando nas atividades do lar e com as crianças, com conselhos, mimos, dicas e apoiantes incondicionais do seu crescimento pessoal e profissional.

“Ahoo” aos Homens que verdadeiramente se importam e que estão presentes nos momentos gloriosos e também nos momentos de provação e angústia de cada mulher – tal como elas se fazem presentes para eles, em qualquer circunstância.

Lembrar que perseguir a “perfeição” pode ser um mecanismo de escravidão ao invés de expansão e liberdade… lembrar que é justo e aceitável pedir ajuda, que é certo sermos frágeis e vacilarmos… permitindo-nos evoluímos ainda mais quando abraçamos as dores que há em nós.
Relaxar e lembrar que não temos de corresponder a expectativas surreais e inatingíveis para sermos aceites… Nós já somos tudo o que precisamos de ser… conhecendo-nos no profundo de nós próprias  – despertamos para os verdadeiros potenciais femininos!
Lembrar que um homem consciente é aquele que comunga desta opinião e que faz o possível e impossível para aliviar a carga da companheira, ao mesmo tempo que a admira, protege e apoia, acima de tudo.

Mulher é mulher, é útero e cálice do mundo. Mulher é Oráculo. Mulher é Amor. Mulher consciente é renascer a cada sopro… Praticar este LEGADO é a nossa impressão digital! Renasçamos nesta força.

SER mulher é SER Sagrado!

Boas Práticas Conscientes!

Ilustração: Bui Le Trang

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