Re”tiro”…

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Hoje em dia fazer Retiros está na moda, a oferta é abundante – há retiros sobre tudo e mais alguma coisa.
Um retiro é suposto ser um período de recolhimento – para auto-conhecimento- em que nos desafiamos a “sair” da realidade física em que vivemos no dia a dia… “estar fora” do que nos é, por norma, familiar. Será que há consciência de que ingressar num “retiro” pode significar também sair da zona de conforto, lidar com as resistências e desconfortos que essa saída da rotina traz à luz? Será que estamos realmente abertos e preparados para “sentir” isto? (fica a reflexão).
Um Retiro pode ser apenas sair da rotina, é certo, mas então porque não lhe chamamos simplesmente “férias”? Ou seja, um conjunto de dias nos quais não trabalhamos (formalmente pelo menos)…

Reforçando – a palavra RETIRO – pressupõe que a pessoa se RETIRE de algo… rotina, stress, azáfama familiar, tarefas domésticas, voz autoritária do chefe, conflitos com os colegas, barulho, sair das dinâmicas da cidade e sua poluição para outros locais, discussões do costume… enfim… a proposta é vir “respirar” fora dos padrões e contextos habituais.
Um Retiro é uma OPORTUNIDADE de nos observarmos, conhecermos e estudarmos, conscientemente e em profundidade, noutras dimensões do nosso Ser.
Raras são as vezes em que nos permitimos agir e pensar, em real consciência e liberdade, no mundo físico que nos ocupa e consome em quase 100% do dia a dia… ainda é tão fácil deixarmo-nos embrenhar nesta onda de centrifugação que nos “adormece” e arrasta para o cumprir dos mesmos padrões mentais, bloqueios, tendências, reações, vícios, comportamentos… tantas vezes “menos fantásticos” e menos benéficos para a nossa vida, saúde e equilíbrio!

Um Retiro é uma oportunidade de “sentir”, “purificar”, “libertar”, “relaxar”, “criar espaço para o novo” através da prática vivencial de ferramentas que estimulam à criatividade, descanso dos processos racionais, das crenças que aprisionam… através da prática do yoga, meditação, alimentação vegetariana e detox, xamanismo, dança, artes marciais, taças tibetanas, astrologia, arte, cristais, silêncio, entre tantas outras.
Por esta via, podemos aceder a ferramentas que nos “retiram” das longas metragens do costume ou que, pelo menos, nos ajudam a aprender a reconhecer o que “não nos serve” e a escolher agir sobre o que “serve” à manifestação do Ser mais autêntico que somos (através da consciencialização e alteração de padrões).
Assim, longe das pessoas e dos contextos habituais, podemos olhar a nossa realidade com outros olhos, mais puros, neutros e imparciais. Questionar e clarear os processos e as formas em que vivemos mergulhados!

Afinal… “o que é melhor para ti?”, “será que o que serves – te serve?”.

SIM… podemos coCRIAR a nossa realidade – viver plenamente sem restrições – inteiros, humildes, felizes, saudáveis, fieis à nossa verdade, em coerência com o que somos e em união com tudo o que nos rodeia. Não estamos separados – somos um organismo único – que agindo em conformidade, expande amor, paz e liberdade na grelha divina que tudo Une. Só precisamos de SER o que SOMOS!
É no “espaço de vacuidade” – no silêncio e em contato com a natureza – que aprendemos a conhecer e a contactar com o que “somos”. Nesse “espaço” somos meros canais…”acolhemos” de forma clara e neutra mensagens… disponibilizamo-nos para que a Vida se manifeste através de nós. Desligando-nos da necessidade de controlar a vida – há lugar para que Ela se manifeste verdadeiramente em nós.
Espaço Eco… o treino da vacuidade… manifestando a verdade que somos – torna cada vez mais fácil sabermos o que queremos. Passamos a perceber que todas as pessoas com quem nos cruzamos são mestres no nosso processo humano de crescimento e aprendizagem…

As pessoas com quem interagimos neste processo humano (que começa no compromisso de auto-conhecimento), dão-nos pistas preciosas sobre nós próprios através de reflexos, tantas vezes, irritantemente certeiros sobre a nossa própria forma de agir e de nos relacionarmos. Cabe a cada um de nós dar o passo humilde de reconhecer o “espelho” que os outros revelam sobre nós mesmos… Uiii… às vezes custa tanto… que preferimos ignorar e continuar a julgar o “espelho” e o que é “espelhado”… Uffff!
Um Retiro – é uma arena fértil para estar “frente a frente” com estas e outras questões… se formos “fundo” pode mesmo ser um “ponto de viragem” nas nossas vidas… e se isso for para melhor… porque não?!? Bora lá…

Retomando – Os reflexos que recebemos dos “outros” umas vezes são maravilhosos, outras vezes nem tanto mas, se vistos com bons olhos, são perfeitos, já que ajudam a encaminhar a nossa alma para um brilho maior. Permitem limar arestas acutilantes, esculpir o diamante coração ao ponto de nos amarmos mais… um bocadinho mais de nós… a cada passo 🙂!

Num RETIRO, em vez de professores e mestres, é comum o termo FACILITADORES – esta designação é interessante – porque estes criam condições para que o processo individual de cada participante se desenvolva naturalmente – dentro do seu ritmo, liberdade e responsabilidade (facilitam, orientam, proporcionam vivências… simplesmente encaminham o processo de cada participante). Cada participante num retiro continua a ser dono da sua vida… soberano nas suas escolhas individuais, embora dentro da dinâmica do grupo! Ninguém nos pode salvar. Cada um é responsável por si mesmo(a)! Um facilitador – facilita a que cada um descubra o seu caminho – não toma decisões por ti!!

Um Retiro varia no número de dias, local do acolhimento, número de facilitadores, atividades disponibilizadas, alimentação, horários de repouso e despertar, ferramentas terapêuticas utilizadas e n.º máximo de participantes acolhidos… mas se existe algo em comum em todos eles, é essa capacidade extraordinária de criar um vácuo, “dar o corpo ao manifesto” para se tornar um canal capaz de ecoar o que escolhermos criar. Sem essa vacuidade, o eco será maioritariamente a confusão, a expressão da mente agitada, o discernimento reduzido.
Se ficar em silêncio é desconfortável? Sim… muitas vezes é!!! Mas se vamos a um Retiro para continuar a “encher”… será que vale a pena ir? Somos livres de investir o nosso dinheiro noutras opções se não estamos preparados para serenar e silenciar!

Um RETIRO é um espaço para lidar com as resistências que temos ao “esvaziamento”, ao “desprogramar”, ao “estar dentro”… “abertura para purificar e transmutar os excedentes energéticos contaminados que carregamos”, sem perceber o desafio e a simplicidade deste convite… para que é que nos inscrevemos em retiros, afinal?!?
Cuidemos de criar e praticar a vacuidade – SER espaço ECO – estando conscientemente ligados à “Fonte da Vida”. RETIRE-SE tudo o que impede o ECO bonito de ressoar. ECOEMOS 🙂

Fotografia captada no rio Mondego – Acolhimento Ponto zero ECO (Sant’Yoga 2016)

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