Queres não casar comigo?

13295256_10206919938704124_1381458481_n (1)

O pedido de casamento romântico e tradicional, de joelhos no chão e anel de diamantes pode ser “desnecessário”, ainda que este possa ser um momento memorável numa vida humana. Na verdade – o diamante – é o amor pleno em si mesmo, rendido e de joelhos à inocência e à honestidade do sentir.

Casar = casa + ar

Casa – Construção destinada à habitação (lar)
+
Ar – Sufixo nominal significativo de relação;
atmosfera; fora de recinto fechado; sopro; espaço aéreo

Um dos significados de “casar” é: Adaptar-se! (ajuste constante à impermanência da vida)

Então… reformulemos o pedido de casamento:

Queres amar e viver em relação comigo?
Queres crescer comigo?
Queres amar a vida lado a lado?
Queres errar e aprender comigo?
Queres ser consciente comigo?
Queres viver, respirar, construir e nutrir o “nós”?
Queres ser “melhor” e mais “autêntico/a” comigo?
Queres amar-me mesmo quando estivermos zangados?
Queres aprender a amar, a amar-me e a ser amado/a por mim?
Queres aprender a perdoar comigo?
Queres aprender coisas novas comigo?
Queres sair da zona de conforto comigo e lançar-te na espiral da vida em casal?
Queres sair dos padrões do medo e recriar o amor comigo?

Será necessário um anel para isso ou basta um post-it como o da série “Anatomia de Grey”?
Será preciso um pedido de joelhos e um anel? Ou será que, no simples, as palavras e as ações honestas “casam” por si mesmas? E porque não… fundir ambas as questões anteriores? Só há uma premissa para casar… Amar! Amar! Amar!

Casar até pode ser um pedido de “não” casar… fora ou dentro do “figurino” convencional… as possibilidades são infinitas! Haja amor e criatividade!

O casamento tradicional como o conhecemos, segundo os cânones da Igreja católica (a tom de exemplo) é de permanência e obrigatoriedade. Nesta tradição, até o sexo é condicionado aos fins procriativos (“Deus” nos ajudasse a ter tantos filhos e a conter o desejo de forma saudável…)
Mas não há regras fixas num casamento porque cada casal é um casal e porque a vida nos presenteia a todos com desafios específicos e inesperados.
Porque é que ninguém nos ensina a amar de verdade? Todos erramos enquanto “crescemos”, de uma forma ou de outra. Somos humanos em construção constante.
Amar é sobretudo entender. Entender as fragilidades, entender os medos, entender a nós próprios(as) e ao outro.
As expectativas de perfeição (pura ilusão) conduzem à desilusão.

Muitas das vezes o facto de alguém ter o desejo oculto de ser pedido/a em casamento, faz com que essa pressão afaste de si essa mesma possibilidade.
Qual é o/a homem/mulher que tem vontade de pedir em casamento a alguém que o exige? Ou de aceitar um pedido de casamento por pressão do exterior porque “já se chegou àquela idade tida como certa para tal”?
Quem quererá fazer surpresa de algo que se pede ansiosamente?
Podemos ser escandalosamente felizes sem casar? (Se isso é o que desejamos – com certeza que sim!)

A vida costuma trocar-nos as voltas. Tem esse dom! Não devemos ter uma mente rígida em relação ao caminho.

O voto matrimonial é sagrado – não é “só” assinar um papel- é maioritariamente um vínculo energético e isso é muito mais forte e inquebrável do que um anel. O anel muitas vezes é para mostrar às/aos amigas(os) (ego). O nosso valor não depende disso. Anel podemos comprá-lo nós (aqui no Sant’Yoga até fazemos coleção). A aliança é o compromisso que assumimos com a nossa verdade interna. Somos sempre livres de exprimir essa verdade… casados ou não casados .

A aliança pode ser uma tatuagem, um caderno escrito a dois, as chaves de casa gravadas com uma frase, um par de canecas personalizadas para o café da manhã, um vinil na parede, um livro que os une, uma fotografia na parede, um blog conjunto, um ritual, uma sigla, um projeto comum… As possibilidades são mesmo infinitas. Cada casal sabe de si e do seu sentido de romantismo em amor conjunto.
Na verdade, não necessitamos de nada para provar o nosso amor ao mundo, apenas manter a chama da relação acesa e permitir que o fluxo da vida nos conduza.

Na verdade, o símbolo da união pode ser um cravo, o da liberdade.

Não há risco de fuga quando a porta se mantém sempre aberta, em confiança, respeito e amor. O único risco é viver toda uma vida sem disponibilidade para amar.
Um não morrerá sem o outro. A vida sempre continua. O Sol “nasce” todos os dias.
Saberão sempre viver um sem o outro mas”preferem casar” e partilharem-se todos os dias, ainda assim.
Os erros são ultrapassados desde que não se magoe e desrespeite o espaço e o bem-estar do outro. O erro de um (na relação) é um erro dos dois e isso pode sair demasiado “caro”. O que nos “poupa” e faz crescer é a consciência da união (um casamento de verdade acontece entre “três” identidades em constante comunicação – o”eu”, o “tu” e o “nós”), em amor.
Magoar o outro por egoísmo e inconsciência não é opção.

Somos como os pássaros, livres.
Cada um pode decidir se quer ou não partilhar-se de verdade, de alma para alma.

Isso não invalida que se façam pedidos de casamento à moda antiga. Não esquecendo, porém, que o sentimento é que é o verdadeiro diamante 🙂 Simples assim…

greys_anatomy_post_it_square_coaster

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s