Cur’ar.te é Responsabiliz’ar.te

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Existe um dilema anexado ao nosso desenvolvimento pessoal e espiritual… Como uma questão omnipresente que surge constantemente em modo pop up.

*Será que é possível sermos verdadeiramente felizes sem trabalho de consciencialização, sem responsabilização plena da vida que levamos e sem cura dos nossos padrões mentais, medos e bloqueios?

*Será que temos mesmo de passar pela perda de amizades, pelos relacionamentos traumáticos, pelas múltiplas desilusões e pelos infinitos desafios sem entender porque fomos confrontados com  tudo isso na perspectiva do “quadro maior” que nos une a todos?

Quem tem caminhado nestas “andanças” (auto- conhecimento, desenvolvimento espiritual) sabe que volta e meia somos catapultados para esta nuvem sombria de dúvidas. Todavia, também sabemos que se não fosse este o caminho trilhado, provavelmente o cenário seria outro – o da ilusão!

Analisando possibilidades de como seria a nossa vida se não procurássemos “a cura”:

(entenda-se por cura – a proCURA do nosso ser mais autêntico, cru e nu- o ser inocente que habita a simplicidade feliz do caminho de vida… que se respeita e respeita os demais, que vive dia a dia -aceitando cada passo como divino e mestre)

*Questões de saúde mais complexas e graves (calcificação, bloqueio, inflamação e fixação crónica de emoções, pensamentos e crenças desalinhadas do Amor que impele ao Bem Maior de cada humano);
* Relacionamentos amorosos inconscientes com padrões de vitimização, culpabilização, dor crónica, jogos de poder e manipulação inúteis;
*Ausência de relacionamentos amorosos saudáveis – pelas mesmas razões;
*Falta de amor crónica (amor vindo do exterior) – necessidade constante de validação externa – devido ao facto de não haver uma consciência de que o amor próprio (poder interno) se desenvolve dentro de cada um de nós em primeiro lugar (nessa inteireza amorosa e honesta que revela a verdade interior);
*Questões familiares aparentemente sem resolução que se somatizam no corpo e na mente –  padrões familiares que se repetem e multiplicam por várias gerações (fruto do inconsciente coletivo e individual). Quantos desafios de saúde temos em comum com os nossos familiares e que ainda hoje carregamos e alimentamos?;
*Existência de crianças (mais diretamente expressos nos filhos/as) nas nossas vidas que, sem sabermos, estão a absorver padrões genéticos e energéticos com possíveis consequências nada positivas em termos vivenciais, comportamentais, físicos e emocionais;
*Persistência de ciclos pouco bonitos nas nossas vidas (samsara) com recorrência situacional e emocional pelo facto de não haver consciencialização, reconhecimento de padrões, quebra de ciclos vibracionais e início de cura;
*A não clareza quanto aos reflexos que os outros mostram sobre nós próprios (efeito espelho) e recusa do entendimento dessas interações como parte da nossa cura. O julgamento não passa de um jogo de máscaras em que o pseudo-vencedor não passa de um derrotado em processo de auto-culpabilização e fuga de si mesmo(a);
* A falta de fé e confiança nos processos da vida – ativados por frases feitas como “estou mais ou menos”, “vai-se andando… que remédio!”. Esquecemos a magia e o milagre que cada respirar nos traz, e sem esperança nem gratidão, resistimos e boicotamos a vida bonita que está ao alcance de todos nós;
*A desistência e submissão face ao sistema social/governamental instituído, à destruição do planeta, entre outros. Porque deixamos de sonhar e criar novas possibilidades de existir? Afinal somos Co-criadores e nascemos livres… em quantos momentos da vida “chutamos para canto” estas verdades?;
*A não compreensão de que somos o que intencionamos no nosso coração, em cada ação e pensamento. Sim – somos o que pensamos, comemos e revelamos nas nossas ações. Temos o poder de “limpar” a mente, o ego, o corpo através de uma alimentação saudável, transmutação das emoções, de viver em concordância/alinhamento com os princípios da medicina preventiva e consciente, do amor expresso que bebe na inteligência espiritual colocada ao serviço do nosso crescimento individual e em dádiva ao mundo.
*A rejeição de práticas saudáveis de limpeza energética (Yoga; TaiChi; Chi kung; hermetismo, etc…) que constam da história da humanidade há milhares de anos…

A modernidade pode beneficiar tanto se recorrer aos ensinamentos deixados pelos nossos ancestrais das mais diversas linhagens. “Tudo está em tudo”!

A lista poderia continuar… mas…procurando simplificar:

Sim, podemos escolher o caminho da consciência e da cura – chama-se a isso RESPONSABILIZAÇÃO.
Sim, acreditamos que a vida é mais do que o que temos vivido e sentido.
Sim, acreditamos na magia.
Sim, queremos um planeta limpo e preservado – a NATUREZA é a professora mais preciosa e jamais nos mente ou engana.
Sim, fazemos rituais à Mãe Terra e em gratidão aos seus ciclos (estações do ano) vivendo em concordância e sintonia com os mesmos – é uma conexão fundamental para uma vida equilibrada.
Sim, fazemos rituais de limpeza energética.
Sim, questionamos – questionamos TUDO – para podermos escolher, em consciência, o que serve à nossa verdade interior em cada momento.
Sim, praticamos atividades em que ora torcemos e alongamos o corpo ora fazemos o mesmo com as emoções tentando evitar a sua calcificação desastrosa no corpo físico – a isso chama-se Higiene :).
Sim, utilizamos simbologia sagrada, objetos e amuletos de poder – legados preciosos da sabedoria ancestral.
Sim, temos uma biblioteca recheada com livros sobre espiritualidade, religião, magia, xamanismo, yoga , desenvolvimento pessoal, amor, ciência, natureza, tarot, numerologia, feng shui, medicina tradicional chinesa, reflexologia, fitoterapia, quirologia, dança, física quântica, ayurvédica, macrobiótica, chackras, meridianos, cristais,  massagens terapêuticas, reiki, crianças índigo, mindfulness, mantras, mudras e muito, muito mais. Os livros são companheiros fiéis em tempos de dúvida e conflitos internos.
Sim, no frigorífico e nas prateleiras da cozinha temos maioritariamente legumes, cereais e frutas repletos de enzimas vivas e saltitantes. Evitamos alimentos pré-cozinhados, transformados e com químicos – porque sim!
Sim, às vezes abraçamo-nos às árvores e elas sussurram-nos segredos: Escutamos o vento, sentimos a chuva e os raios do Sol – agradecemos a abundância da Vida :).
Sim, não rejeitamos medicação alopática mas procuramos evitá-la tanto quanto possível.
Sim, às vezes dizemos coisas que fogem ao entendimento de algumas pessoas que fazem parte das nossas vidas mas já não dá para fingir que somos e funcionamos de outra forma! Vida… leva-“NUS”! 🙂 Assim é! Simples assim…

E tu? Que caminho de vida escolhes a cada passo?

Namastê

Texto: Liliana Santos e Rute Violante
Fotografia: Rute Violante

https://www.facebook.com/events/577426539098406/

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Com.paixão

«A educação, por si só, não chega. A qualidade básica que faz com que as pessoas sejam úteis para os outros seres sencientes é a compaixão.»
Sua Santidade o Dalai Lama, in “A Alegria de viver e morrer em paz”

Compaixão – sentimento piedoso de simpatia para com a tragédia pessoal de outrem; (…) acompanhado do desejo de a minorar; sofrimento comum; comunidade de sentimentos; simpatia
in Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

A educação deve partir precisamente desta base, entre outros fundamentos básicos.
Curiosamente existe uma vasta percentagem da população a prezar mais os títulos, os estatutos, a ascensão na carreira e os bens materiais do que a compaixão.
Assim a educação passa a ser um meio para atingir estes fins, mais do que para educar o ser humano para a consciência e para o amor em relação aos outros seres sencientes e em relação ao planeta em que vivemos que nos oferece abundância e beleza diariamente.
Se repararmos (e sem generalizações injustas porque há exceções) as pessoas que melhor cuidam dos outros e dos animais ou das plantas são as pessoas do campo e das aldeias, muitas das vezes sem estudos e sem diplomas de qualquer ordem. Alguns só sabem escrever o próprio nome… Por vezes apenas o escrevem de cruz. No entanto, oferecem couves aos vizinhos, dão carinho aos animais e rezam todos os dias à noite por si, pela família, por aquilo que a natureza lhes dá e até pela vizinhança.

Mas infelizmente há quem chute cães e gatos nas ruas. Outras vezes abandonam-se os animais nas férias ou deixam-se os idosos nos hospitais porque dá jeito.
Não raras as vezes desvia-se o olhar dos pobres e desfavorecidos ou não se conhece o vizinho da frente.
Outras vezes, cumprimenta-se de acordo com o estatuto. Nem tão pouco se cumprimenta o porteiro do arranha-céus ou se pergunta pela família.

E se… tomássemos em consideração o seguinte pensamento:

«(…) Encarar todos os seres sencientes como nossos familiares. Não deve existir nenhum ser senciente que, nas nossas vidas passadas, não tenha sido um dos nossos familiares. (…) Todos os seres sencientes, independentemente da sua condição são como nós na sua procura da felicidade e rejeição do sofrimento.»
Sua Santidade o Dalai Lama, in “A Alegria de viver e morrer em paz”

Quando eu era pequenina e via alguém pisar uma formiga costumava refletir sobre isso na minha cabeça:
E se um gigante me/nos pisasse?!

Só porque esta ideia nos parece absurdamente infantil é que não refletimos mais a sério sobre ela mas, de facto, os animais também sentem e não devem ser pisados nem maltratados.

Tomemos por hábito colocarmo-nos no lugar do “outro que sente”, quer seja um porteiro de um arranha-céus, um sem abrigo ou uma formiga.
Seja um idoso solitário ou uma criança abandonada. Seja um multi-milionário ou uma vendedora de fruta.
O sofrimento atinge a todos e todos desejamos o mesmo, ainda que esse “mesmo” assuma uma infinitude de formas.
Todos temos tudo em nós e por isso, podemos assumir todos os papéis que por vezes desprezamos, o que não será simpático, se tomarmos em linha de conta a lei do retorno.

O que todos procuramos é amor. E contudo, todos somos detentores d’Ele.
O amor que reside em nós pode ser expressado de todas as formas com todos os seres que nos rodeiam e contudo, insistimos em manifestar a nossa falta de amor interna em falta de amor nas ações que implementamos externamente a cada minuto.

Invertamos a tendência, aliviando o nosso sofrimento e por consequência o dos outros seres sencientes, até porque, a compaixão nos faz sentir mais felizes.

Vivamos COM PAIXÃO!

Fotografias: Rute Violante / Istambul – Turquia

Queres não casar comigo?

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O pedido de casamento romântico e tradicional, de joelhos no chão e anel de diamantes pode ser “desnecessário”, ainda que este possa ser um momento memorável numa vida humana. Na verdade – o diamante – é o amor pleno em si mesmo, rendido e de joelhos à inocência e à honestidade do sentir.

Casar = casa + ar

Casa – Construção destinada à habitação (lar)
+
Ar – Sufixo nominal significativo de relação;
atmosfera; fora de recinto fechado; sopro; espaço aéreo

Um dos significados de “casar” é: Adaptar-se! (ajuste constante à impermanência da vida)

Então… reformulemos o pedido de casamento:

Queres amar e viver em relação comigo?
Queres crescer comigo?
Queres amar a vida lado a lado?
Queres errar e aprender comigo?
Queres ser consciente comigo?
Queres viver, respirar, construir e nutrir o “nós”?
Queres ser “melhor” e mais “autêntico/a” comigo?
Queres amar-me mesmo quando estivermos zangados?
Queres aprender a amar, a amar-me e a ser amado/a por mim?
Queres aprender a perdoar comigo?
Queres aprender coisas novas comigo?
Queres sair da zona de conforto comigo e lançar-te na espiral da vida em casal?
Queres sair dos padrões do medo e recriar o amor comigo?

Será necessário um anel para isso ou basta um post-it como o da série “Anatomia de Grey”?
Será preciso um pedido de joelhos e um anel? Ou será que, no simples, as palavras e as ações honestas “casam” por si mesmas? E porque não… fundir ambas as questões anteriores? Só há uma premissa para casar… Amar! Amar! Amar!

Casar até pode ser um pedido de “não” casar… fora ou dentro do “figurino” convencional… as possibilidades são infinitas! Haja amor e criatividade!

O casamento tradicional como o conhecemos, segundo os cânones da Igreja católica (a tom de exemplo) é de permanência e obrigatoriedade. Nesta tradição, até o sexo é condicionado aos fins procriativos (“Deus” nos ajudasse a ter tantos filhos e a conter o desejo de forma saudável…)
Mas não há regras fixas num casamento porque cada casal é um casal e porque a vida nos presenteia a todos com desafios específicos e inesperados.
Porque é que ninguém nos ensina a amar de verdade? Todos erramos enquanto “crescemos”, de uma forma ou de outra. Somos humanos em construção constante.
Amar é sobretudo entender. Entender as fragilidades, entender os medos, entender a nós próprios(as) e ao outro.
As expectativas de perfeição (pura ilusão) conduzem à desilusão.

Muitas das vezes o facto de alguém ter o desejo oculto de ser pedido/a em casamento, faz com que essa pressão afaste de si essa mesma possibilidade.
Qual é o/a homem/mulher que tem vontade de pedir em casamento a alguém que o exige? Ou de aceitar um pedido de casamento por pressão do exterior porque “já se chegou àquela idade tida como certa para tal”?
Quem quererá fazer surpresa de algo que se pede ansiosamente?
Podemos ser escandalosamente felizes sem casar? (Se isso é o que desejamos – com certeza que sim!)

A vida costuma trocar-nos as voltas. Tem esse dom! Não devemos ter uma mente rígida em relação ao caminho.

O voto matrimonial é sagrado – não é “só” assinar um papel- é maioritariamente um vínculo energético e isso é muito mais forte e inquebrável do que um anel. O anel muitas vezes é para mostrar às/aos amigas(os) (ego). O nosso valor não depende disso. Anel podemos comprá-lo nós (aqui no Sant’Yoga até fazemos coleção). A aliança é o compromisso que assumimos com a nossa verdade interna. Somos sempre livres de exprimir essa verdade… casados ou não casados .

A aliança pode ser uma tatuagem, um caderno escrito a dois, as chaves de casa gravadas com uma frase, um par de canecas personalizadas para o café da manhã, um vinil na parede, um livro que os une, uma fotografia na parede, um blog conjunto, um ritual, uma sigla, um projeto comum… As possibilidades são mesmo infinitas. Cada casal sabe de si e do seu sentido de romantismo em amor conjunto.
Na verdade, não necessitamos de nada para provar o nosso amor ao mundo, apenas manter a chama da relação acesa e permitir que o fluxo da vida nos conduza.

Na verdade, o símbolo da união pode ser um cravo, o da liberdade.

Não há risco de fuga quando a porta se mantém sempre aberta, em confiança, respeito e amor. O único risco é viver toda uma vida sem disponibilidade para amar.
Um não morrerá sem o outro. A vida sempre continua. O Sol “nasce” todos os dias.
Saberão sempre viver um sem o outro mas”preferem casar” e partilharem-se todos os dias, ainda assim.
Os erros são ultrapassados desde que não se magoe e desrespeite o espaço e o bem-estar do outro. O erro de um (na relação) é um erro dos dois e isso pode sair demasiado “caro”. O que nos “poupa” e faz crescer é a consciência da união (um casamento de verdade acontece entre “três” identidades em constante comunicação – o”eu”, o “tu” e o “nós”), em amor.
Magoar o outro por egoísmo e inconsciência não é opção.

Somos como os pássaros, livres.
Cada um pode decidir se quer ou não partilhar-se de verdade, de alma para alma.

Isso não invalida que se façam pedidos de casamento à moda antiga. Não esquecendo, porém, que o sentimento é que é o verdadeiro diamante 🙂 Simples assim…

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