Dia de S. Valentim – o elefante na sala

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Se calhar é preciso falar sobre isto, o “elefante” na sala de que não se fala, fazendo de conta que ele não existe. O assunto “tabu”. O dia dos namorados!

Então… a questão é: tens namorado/a?

(Mas tens mesmo? Assim um amor a sério? ou “é complicado”?)

Esta questão coloca muitos de nós em cheque, obrigando-nos a quase sentir culpa ou sentimento de inferioridade por não entrarmos neste jogo consumista e espalhafatoso do dia dos namorados. São peluches nas montras, “i love you’s” por todo o lado, moldurinhas cheias de corações e toda uma pré-produção de jantares românticos, preparação de surpresas, compra de lingerie sexy e afins.
Note-se que mesmo que tenhamos namorado/a podemos optar por não celebrar este dia.

Bom. O elefante está espalhado por tudo à nossa volta e é difícil não o vermos.
São newsletters com promoções e frases românticas no e-mail, são publicações no facebook, anúncios nas rádios e na televisões, fotografias fofinhas de casalinhos amorosos… como “néons” barulhentos a agredir-nos os sentidos.

Vamos continuar a ignorar o elefante?

Bom, o elefante iça a tromba e diz:

Sim, sou diferente e não curto romantismos exacerbados.
Sim, sou diferente e o “Natal” é todos os dias no que diz respeito ao amor.
Sim, sou diferente e compro lingerie sexy quando menos se espera e não uma vez por ano.
Sim, sou diferente, ando a curar feridas e padrões mentais “doentes”.
Sim, sou diferente e o amor não é consumismo e filas à porta do restaurante que tem uma velinha vermelha ao centro da mesa para nos fazer pagar o dobro neste dia especial.
Sim, sou diferente e o amor que sinto não precisa de ser mostrado ao mundo no facebook.
Sim, sou diferente e detesto peluches que dizem “i love you”

Caramba, com tanto trabalho de auto-desenvolvimento e cura, depois de tanto sofrimento e de tanta aprendizagem… depois de tanta experiência de vida e tanta escolha difícil, depois de tanta luta por um amor verdadeiro, por nós próprios e por um(a) companheiro(a) de alma com coração semelhante, não há necessidade de nos sentirmos “menos” por não termos alguém. Isso significa acima de tudo que estamos a cuidar de nós, sem roubarmos o coração de ninguém para reconstruir o nosso. O nosso (re)constrói-se a partir de dentro, expandindo à medida que cura.

Se temos alguém e amamos, o dia dos namorados é todos os dias.
Se não temos alguém e estamos num caminho de auto-conhecimento e cura, o dia dos namorados também é todos os dias e o amor por nós próprios também.

A escolha de não termos namorado/a é uma escolha bonita e legítima e pode acontecer apenas porque não amamos ninguém em especial e/ou porque estamos felizes de qualquer das formas. É corajoso, bonito e saudável optarmos por não ter alguém durante um tempo, resistindo inclusive a tentativas e investidas. É preciso sabermos viver sozinhos, sem dependências afectivas e sem que isso seja essencial ao nosso bem-estar.
Depressa aprendemos que são esses períodos que nos fazem mais fortes, mais bonitos, mais compassivos e essencialmente mais sábios em relação àquilo que o amor é…

Pronto, já falámos do elefante na sala.

Feliz dia dos namorados para todos, com cara metade ou com cara por inteiro.

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