Desintoxicação do fígado

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A desintoxicação do fígado pode passar por uma nutrição adequada e por remédios caseiros. Todavia, pouco se fala da desintoxicação ao nível dos pensamentos e das emoções.
Na medicina tradicional chinesa o funcionamento dos orgãos está diretamente ligado às emoções, logo, por esse prisma pouco nos valerá a “limpeza” de um orgão se as emoções correspondentes persistirem na sua contaminação.
Os olhos têm correspondência directa com o fígado logo é comum que alguém com desequilíbrio no fígado tenha questões nos olhos (vista turva, conjuntivite, comichão nos olhos, coloração na parte branca do olho, etc…).

No caso específico do fígado estamos perante um ciclo vicioso… se o fígado não funciona corretamente isso causa-nos raiva e irritabilidade e estas emoções (ao fazerem o nosso corpo produzir toxinas) terão uma influência negativa no funcionamento do fígado.
Será importante referir que o fígado é também o orgão mais intimamente ligado ao stress que afeta a população dos Países (ditos) desenvolvidos de forma generalizada.

Sintomas de desequilíbrio no fígado:

«Fadiga
«Irritabilidade
«Mudanças de humor
«náuseas
«Tendências depressivas
«Acessos de “fúria”
«Problemas no sistema digestivo
«Problemas de pele (e sua tonalidade geral)
«Incapacidade de relaxar
«Questões nas unhas
«Síndrome pré-menstrual com efeitos exacerbados
etc …

(Nota: Os sintomas referidos poderão ter outra origem)

Quando equilibrado, o fígado permite-nos sentir coisas bonitas como compaixão, benevolência, generosidade e bondade.

Assim, para que uma desintoxicação do fígado seja eficaz, será fundamental que façamos uma identificação dos pensamentos que estão na base das emoções corrosivas.

Anger (raiva – emoção mais associada ao fígado) = Call to act (chamada para a ação)

Até pode ser positivo que tenhamos emoções reativas, o que será prejudicial será a acumulação, a repressão. A raiva não deve permanecer no fígado, deve ser expulsa.
O fígado acumula emoções reprimidas tais como o ressentimento ou a frustração (às vezes durante demasiados anos) e será necessário agir, no sentido de falar sobre o problema, de libertar, de perdoar, de transmutar o pensamento e/ou o sentimento em relação a uma situação que nos magoou/magoa. Por vezes, isso passa pela tomada de consciência do ponto de origem e da sua respetiva cura. Não se deve é invariavelmente varrer para debaixo do tapete.

Um programa de desintoxicação do fígado terá efeitos aparentemente contraditórios na fase inicial, todavia, também isso será normal. À medida que o nosso corpo começar a libertar toxicidade, teremos reações intestinais, dores de cabeça, picos de cansaço e instabilidade emocional com algumas (re)ações inesperadas. O nosso corpo tenta resistir à libertação de pensamentos e crenças profundamente enraizadas e será importante que sejamos firmes em relação à desintoxicação mental e emocional.

“When the liver qi is deficient, fear will occur; when excess, one will become angry”
Yong Ping Jiang

Ora sendo o fígado um orgão regulador e transmissor de energia Qi, certamente que não será positivo quando o nosso trabalha de forma ineficiente. Se o fígado por si tem como função a desintoxicação, então, a sua desintoxicação será fundamental.
Será crucial referir que o fígado forma parelha com a vesícula e que o funcionamento de um afeta o outro (yang/yin), já que nesta relação um representa o planificador e o outro o implementador. Assim, se os nossos planos de vida não estiverem a fluir (em pensamento ou em ação), os bloqueios manifestar-se-ão no corpo nestes dois orgãos.

A época do ano mais adequada à desintoxicação do fígado é a Primavera, a estação dos recomeços e do florescimento. Esta desintoxicação poderá passar por uma nutrição saudável que inclua por exemplo brócolos, espinafres, quinoa e beterraba, assim como alimentos crus de folha verde.
O chá verde também é recomendado para a limpeza do fígado e há inúmeras receitas de batidos detox para o fígado em livros, revistas, sites e blogs ligados à saúde e bem estar (escolham bem as fontes).
Na base, deveremos evitar alimentos processados, gorduras, álcool, café e tabaco.

E para começar, fica uma receita básica que já experimentámos deste lado:

Sumo detox para o fígado:

Beterraba (1/4 de uma beterraba média)
1/2 cenoura
1/2 maçã
Sumo de limão

Fotografia por: Rute Violante / Sant’Yoga

 

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Amor incondicional?

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Existe uma vasta panóplia de religiões, doutrinas e filosofias a utilizar o conceito de “amor incondicional” como alicerce.
Este conceito é lindíssimo e poderoso, quando entendido. Todavia, é perigoso, quando mal interpretado. O amor incondicional deve começar por nós e isso significa que, perante a ameaça da nossa integridade física, psicológica ou espiritual (na verdade a sua interligação faz com existam em “inter-relação”) nos devemos proteger a nós e não proteger incondicionalmente quem (intencionalmente ou não) nos agride ou ameaça, permitindo a “agressão” de forma continuada. Claro que podemos perdoar, tentar entender e “amar” o outro mas, a nossa vida deve ser prioridade, de outra forma não estaremos a amar-nos a nós.

O agressor alimenta-se da energia de medo e insegurança do lado da vítima.
O agressor ganha poder e a vítima perde amor próprio.
É um jogo que pode levar à morte (simbólica ou real).

Podemos sentir compaixão mas sair do jogo… com isso amamo-nos a nós e amamos o outro porque deixamos de alimentar o monstro. Isso também é amor e só pode levar à evolução de ambos. A traição e o abandono são também “assassinos silenciosos” (simbolicamente) no sentido em que a vítima perpetua o seu sentimento de não merecimento de um amor seguro e honesto e o “carrasco” perpetua o impulso da traição ou o impulso da fuga de um relacionamento profundo.

Perdoar o nosso «inimigo» (aqui entendido num sentido lato) e entendê-lo pode servir para rompermos com o padrão e para a sua evolução. Impedimos que o padrão prossiga em forma de dominó e ao mesmo tempo “conduzimos” duas almas para a evolução. Então o amor incondicional deve ser entendido corretamente, no sentido em que nem tudo é permitido, especialmente quando nos causa sofrimento. Estará nas nossas mãos a decisão de sermos ativos ou reativos. De co-criar ou de nos resignarmos.
O amor incondicional por um/a companheiro/a pode passar pela aceitação de que essa pessoa ama outra pessoa e será mais feliz com ela.

Amemo-nos uns aos outros, com pés e cabeça. Começando por nós e pelo nosso equilíbrio. Amando-nos a nós, já estaremos a ajudar os outros nesse caminho, mesmo sem fazermos nada em prol disso.
O outro dá-nos reflexos de quem somos e da energia que temos em dada fase, então, de alguma forma, quando nos fazem mal, ajudámos a criar essa situação com as nossas crenças e a nossa falta de amor próprio. Ou seja, a falta de amor por nós próprios criou a falta de amor do outro por nós. É um perigoso jogo vicioso. Amor incondicional refere-se ao RESPEITO por nós e pelo OUTRO.
Entenda-se que podemos e devemos amar independentemente das circunstâncias, todavia, não temos de viver em sofrimento e temos sempre a escolha de nos afastarmos de alguém que não demonstra amor por nós.
Podemos amar sem esperar nada em troca. Não podemos é permitir que nos “agridam” de alguma forma. Mesmo que de forma moral.

«Unconditional love is loving without limitations, conditions or reservations. It is based on an attitude of complete acceptance which means you decide to love other people – and yourself too, of course – by being happy with them just as they are, without needing to change them in any way, allowing them to grow, to be all that they want to be for themselves, even if this does not include you or fit with your plans.»
http://www.vitalaffirmations.com/unconditional-love.htm#.Vs7lhX2LR1t

Será sempre interessante traduzir esta frase aplicando-a a nós próprios:

«Amor incondicional é amarmo-nos sem limites, condições ou reservas. Baseia-se numa atitude de total aceitação o que significa que decidimos amar-nos a nós próprios – sendo felizes com aquilo que somos, sem necessidade de mudarmos quem somos, permitindo o nosso crescimento e a capacidade de sermos tudo o que queremos ser, mesmo que isso não inclua o outro e que o outro não se inclua nesse plano.»

Por vezes, amar é “deixar ir” ou definir limites.

«(…) the most compassionate people on the planet are the ones with the highest boundaries.»

Can You Navigate Love With Healthy Boundaries?

“estórias” (re)contadas

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As “estórias” que nos contaram sobre nós e sobre os nossos antepassados são muitas vezes distorcidas. Crescemos acreditando naquilo que quiseram que fosse uma verdade para nós. Contudo, se quisermos conhecer melhor o que se esconde por detrás dessas “estórias” encontramos “o que somos” na essência porque nos libertamos das malhas daquilo em que era suposto crermos e sermos, libertando a carga que há muitos anos nos acompanha. Tomar consciência é começar o caminho da cura.
Desconfia, coloca em causa, pergunta, descobre, pesquisa e (re)conta a tua história. Co-cria a tua história. Retifica a tua história, entendendo que as “estórias” em que acreditaste tiveram consequências na tua vida.
Nunca ninguém fez nada com intenções de te magoar, por vezes as verdades estão tão escondidas e recalcadas que não há possibilidade de percepção das mesmas.
Tudo são máscaras e defesas afinal.
Às “estórias” que nos ofereceram, acrescem as “estórias” que contámos a nós próprios/as, fugindo nós também da essência do nosso ser e da verdade da nossa vida. Quantas vezes não mentimos a nós próprios?

Que a verdade seja contada (re)construindo as nossas histórias. Que a verdade ecoe nos nossos corações e que a verdade se faça sentir na nossa vibração.

Que nos reconciliemos com a vida.

Dia de S. Valentim – o elefante na sala

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Se calhar é preciso falar sobre isto, o “elefante” na sala de que não se fala, fazendo de conta que ele não existe. O assunto “tabu”. O dia dos namorados!

Então… a questão é: tens namorado/a?

(Mas tens mesmo? Assim um amor a sério? ou “é complicado”?)

Esta questão coloca muitos de nós em cheque, obrigando-nos a quase sentir culpa ou sentimento de inferioridade por não entrarmos neste jogo consumista e espalhafatoso do dia dos namorados. São peluches nas montras, “i love you’s” por todo o lado, moldurinhas cheias de corações e toda uma pré-produção de jantares românticos, preparação de surpresas, compra de lingerie sexy e afins.
Note-se que mesmo que tenhamos namorado/a podemos optar por não celebrar este dia.

Bom. O elefante está espalhado por tudo à nossa volta e é difícil não o vermos.
São newsletters com promoções e frases românticas no e-mail, são publicações no facebook, anúncios nas rádios e na televisões, fotografias fofinhas de casalinhos amorosos… como “néons” barulhentos a agredir-nos os sentidos.

Vamos continuar a ignorar o elefante?

Bom, o elefante iça a tromba e diz:

Sim, sou diferente e não curto romantismos exacerbados.
Sim, sou diferente e o “Natal” é todos os dias no que diz respeito ao amor.
Sim, sou diferente e compro lingerie sexy quando menos se espera e não uma vez por ano.
Sim, sou diferente, ando a curar feridas e padrões mentais “doentes”.
Sim, sou diferente e o amor não é consumismo e filas à porta do restaurante que tem uma velinha vermelha ao centro da mesa para nos fazer pagar o dobro neste dia especial.
Sim, sou diferente e o amor que sinto não precisa de ser mostrado ao mundo no facebook.
Sim, sou diferente e detesto peluches que dizem “i love you”

Caramba, com tanto trabalho de auto-desenvolvimento e cura, depois de tanto sofrimento e de tanta aprendizagem… depois de tanta experiência de vida e tanta escolha difícil, depois de tanta luta por um amor verdadeiro, por nós próprios e por um(a) companheiro(a) de alma com coração semelhante, não há necessidade de nos sentirmos “menos” por não termos alguém. Isso significa acima de tudo que estamos a cuidar de nós, sem roubarmos o coração de ninguém para reconstruir o nosso. O nosso (re)constrói-se a partir de dentro, expandindo à medida que cura.

Se temos alguém e amamos, o dia dos namorados é todos os dias.
Se não temos alguém e estamos num caminho de auto-conhecimento e cura, o dia dos namorados também é todos os dias e o amor por nós próprios também.

A escolha de não termos namorado/a é uma escolha bonita e legítima e pode acontecer apenas porque não amamos ninguém em especial e/ou porque estamos felizes de qualquer das formas. É corajoso, bonito e saudável optarmos por não ter alguém durante um tempo, resistindo inclusive a tentativas e investidas. É preciso sabermos viver sozinhos, sem dependências afectivas e sem que isso seja essencial ao nosso bem-estar.
Depressa aprendemos que são esses períodos que nos fazem mais fortes, mais bonitos, mais compassivos e essencialmente mais sábios em relação àquilo que o amor é…

Pronto, já falámos do elefante na sala.

Feliz dia dos namorados para todos, com cara metade ou com cara por inteiro.

Caríssimo passado,

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Sant’yoga Team
Leiria, 2016

Caríssimo passado,

Há muito tempo que me acompanhas como uma voz na minha cabeça obrigando-me a tomar determinadas decisões, ou a não as tomar.
Venho agradecer tudo o que me ensinaste e tudo o que me mostraste de mim e dos meus bloqueios. Não deixa de ser maravilhosa a forma como indicaste o caminho para um presente mais tranquilo e um futuro mais bonito.
Todavia, está na hora de nos separarmos!

Entende que foste imprescindível no meu caminho de crescimento e de clarividência relativamente a mim próprio/a. Entende que só a marca que me deixaste me permitiu criar as máscaras que agora deixo cair.

As lágrimas com que me lavaste transformaram o sangue podre (que solidificava no coração) em jóias verdadeiras.
Se ao menos soubesses o quanto essa ferida foi o diamante que agora me brilha no peito.

Agora, escolho libertar-me das amarras que me toldavam o pensamento. Escolho o amor e os braços abertos para o mundo. A luz que entrou em mim foi inundando a escuridão formando um auto-retrato acima de tudo consciente.
Cada vez gosto mais do que sou, aceitando o “adubo” com que me fertilizaste.

A semente que plantei às apalpadelas no escuro começa a germinar, obrigando-me a sair da terra para os sonhos, espreguiçando-me em uníssono com o nascer do sol.

Agora, vou de mãos dadas com o presente agradecendo pela ferida com que rachei a terra.

Obrigado/a humidade da terra,
Obrigado/a emoções perturbadoras,
Obrigado/a máscaras com que me mostrei,
Obrigado/a ferida com que me fertilizei,

Sigo o caminho, rumo a mim próprio/a! Rumo à essência.

Curo-“nos”

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*Quando foi a última vez que apontaste o dedo a alguém por considerares que essa pessoa te estava a magoar com o seu comportamento?

*Quando foi a última vez que pensaste que estavas a trabalhar na tua cura mas a pessoa que amas não?

REFORMULEMOS (por inversão) estes pensamentos:

*Quando foi a primeira vez que apontaste o dedo a ti próprio/própria por considerares que poderias estar a criar uma situação de dor na tua vida com os teus pensamentos?

*Quando foi a primeira vez que sentiste que estavas a trabalhar na tua dor e a pessoa que amas também, quanto mais não fosse por consequência?

Quando curamos em nós, curaremos nos outros, a interação só por si fará o trabalho forçado.
O outro não muda mas nós mudamos e isso transforma e transmuta a realidade no presente e no futuro. Na verdade, esse trabalho de sanação é tão poderoso que chega mesmo a transmutar o passado e os antepassados. Sete gerações para trás e sete gerações para a frente. Quão poderoso é o processo de cura, daí ser tão árduo. Temos em nós um padrão genético que nos incute uma dor – situação específica – dor essa carregada pelos nossos pais e pelos nossos avós.
Se não cuidarmos, para além de continuarmos a sofrer sempre a com a mesma “história”, transferimos essa carga para os nossos filhos.

… E aquilo que vemos no mundo é isso, esse padrão, essa dor.

Fica a reflexão.
Curemos… antes a dor que grita e cura do que a dor repetitiva e muda que calcifica.

Yoga: Liliana Santos
Fotografia: Rute Violante