Amor colorido ou a preto e branco?

 

Na infância, pintamos as histórias de amor de cor de rosa… Na idade adulta, fruto de crenças enraizadas, “dores” vivenciadas e medo de amar, surgem outras cores nos relacionamentos que praticamos com o “par romântico”…
Sem perceber bem “como” ou “para quê” – às vezes, entramos na “espiral” que foge do compromisso, da responsabilidade bela e expansiva que também faz parte de partilhar a vida e o corpo com o/a “eleito(a)” que o coração e as hormonas “escolhem”… da vontade de construir, sentir e crescer em conjunto…porque claro… tudo isto “dá trabalho”, leva tempo, paciência, respeito… enfim… o significado mais elevado de “partilhar”.

Talvez as amizades coloridas e os namoros “mais ou menos” tenham surgido como resposta à (r)evolução da sociedade – à rapidez alucinante com que tudo acontece, necessidade de prazer imediato, poder sedutor da imagem humana fabricada no PhotoShop, carga de trabalho excessiva, alteração dos padrões familiares e amorosos que até aqui existiam. Será que somos “mesmo” mais avançados e livres a viver assim?…

É bom mudar – mas podemos refletir sobre os pontos sensíveis que afetam as relações dos homens e mulheres apanhados nesta “modernidade”. A mulher emancipou-se e na cavalgada de expressão do seu poder infinito …o homem que antigamente a “cortejava” para casar e sustentar a família, deixou de se esforçar. Nos “parceiros coloridos” – cada um é “independente” (quando deveria ser interdependente).
Para quê correr o risco de partilhar verdadeiramente a vida com outro alguém e aprender sobre amor num relacionamento? Porém… se esta é a “tendência”… onde está a magia que advém da união de um casal que constrói em amor? Em vias de extinção? Esperemos que não.. porque tudo é preciso!

Na explosão da cor que surge duma ligação colorida, depois do primeiro passo de intimidade estar feito… é um “quero estar contigo” mas não me quero “envolver”, não me quero apaixonar ou sofrer, não estou preparado(a) para uma relação… de repente… do amor passou-se a este “jogo desgastante”… Se este tipo de relacionamento é uma escolha consciente de todos os envolvidos, porque não?!? Somos livres. Mas a falta de esclarecimento da “cor” que cada um dos envolvidos atribui ao relacionamento também pode conduzir a emoções destrutivas e fugazes!! E isto pode doer… e “fechar corações”! Oh se pode!!!
Neste jogo, inicialmente ambos fingem que são apenas amigos e que não têm interesse um no outro no contexto sexual ou amoroso até que as coisas simplesmente acontecem, como se tropeçassem perto da cama e caíssem um em cima do outro!! O fingimento não serve de nada porque ambos sabiam que ia acontecer e as pessoas à volta também… Neste jogo, não há carinhos na rua, não há mãos dadas, não há apresentações à família, não há planos conjuntos de futuro, não há jantares com outros casais, não se pode falar de filhos e especialmente nunca se dão prendas ou se fazem declarações amorosas. Se isso acontecer, esse jogador perde porque cede ao amor. Eventualmente, terá de pagar juros ao Ego.
Neste jogo, não se combina o Natal, passagem de ano, férias conjugais…
Neste jogo não vivem juntos e nunca planeiam suas vidas a médio prazo… apenas encontros. Vendo isto escrito assim… perguntamo-nos se este cenário não estará mais próximo da “separação” do que da “união” (amor)… então para quê estar-se ilusoriamente juntos?!?
Será que faz sentido viver relações virtuais em carne e osso?
Neste jogo pode haver o “experiente na conquista” e o “ingénuo amador” … é provável que ambos apenas procurem esconder as suas fragilidades e inseguranças… como se estas dimensões do ser humano não existissem em todos nós… abrindo espaço para auto-boicote,  vitimização, falta de amor próprio, manipulação…  drama!

No aspeto romântico e porque sim… ainda há pessoas que, por exemplo, querem ser pedidas em casamento no “figurino” demodé… ninguém tem de se lembrar da data de início do namoro porque nunca houve um “início”, houve apenas um início de negação à entrega. Logo, também não há um romper ou finalizar da “amizade”.
Então… aquilo que já é um relacionamento acaba por não ser uma relação. Resta questionar para refletir – Será que assim se consegue mesmo fugir às emoções e aos medos? Será que aprendemos alguma coisa humanamente significativa nestas vivências?

A menos que ambos caiam nas garras do amor sem querer, as coisas correm sérios riscos de sair menos bem porque, afinal, nunca houve honestidade ou tomada de responsabilidade… vontade de conhecer o universo divino da pessoa dos “encontros”. Tudo para provar a nós mesmos que num envolvimento íntimo (graças aos vários encontros com um mesmo par) é possível descartar os aspetos “chatos” de uma relação. Será isto que se pretende provar?

Assim, no meio do arco-íris, as cores são a ilusão (indefinidas) e a “amizade” é uma coisa diferente… a não ser que seja uma “fusão” da amizade com um relacionamento que não se quer relação. Ou será uma one night stand a ecoar em loop? Haja criatividade… principalmente para depois suportar as consequências do processo!

Na Simplicidade… complicar para quê? Algumas relações duram – outras não. [Cada relacionamento que termina te coloca mais próximo(a) do verdadeiro amor]. Algumas relações têm grande impato na nossa vida – outras não. Algumas são homossexuais – outras não. Algumas monogâmicas – outras não. Sejam como forem… é importante que todos os envolvidos conheçam a realidade em que se estão a meter. E independentemente do que já todos sofremos com relações… todos também sabemos o quão bonitas e construtivas elas podem ser (mesmo quando não resultam) porque os humanos crescem em ligação uns com os outros – em comunidade. A verdade é que cada relação nos chega para aprendermos sobre nós mesmos – sobre os nossos potenciais, limites, força.. conhecermo-nos a nós mesmos é o verdadeiro “trabalho” de uma vida humana. É bonito estarmos apaixonados e entregarmo-nos ao AMOR nas várias expressões sem medo… é a nossa natureza original. Para quê fugir do Amor?

Rendamo-nos ao Amor que ensina, cura e constrói!!! Simples assim…

 

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